A confirmação de cinco casos do vírus Nipah (NiV) na Índia colocou autoridades de saúde em estado de alerta e levou à adoção de medidas de quarentena para conter a disseminação da doença, considerada altamente letal. A infecção, que afeta o sistema nervoso central e pode evoluir rapidamente para coma, reacendeu preocupações internacionais devido ao histórico grave associado ao vírus.
Entre os casos confirmados, dois envolvem enfermeiros de um hospital em Barasat, na região de Bengala Ocidental. De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, os profissionais teriam sido infectados após contato com um paciente que apresentava sintomas respiratórios agudos e que morreu antes de a doença ser diagnosticada. Um dos enfermeiros encontra-se em coma. Ao todo, cerca de 180 pessoas foram submetidas a testes, enquanto 20 precisaram ser isoladas de forma preventiva.
Diante do cenário, autoridades reforçaram orientações à população, com destaque para a higienização rigorosa de frutas antes do consumo e a lavagem frequente das mãos após o contato com animais, carnes ou carcaças. O alerta é ainda maior em relação a espécies como morcegos e porcos, tradicionalmente associadas à transmissão do vírus, mas também inclui cavalos, gatos, cabras e ovelhas.
Embora os casos tenham sido registrados na Índia, o governo da Tailândia informou que não há ocorrências confirmadas no país. Ainda assim, o monitoramento foi intensificado, e autoridades de saúde lembram que o diagnóstico do Nipah é feito por meio do teste RT-PCR, método amplamente conhecido desde a pandemia de Covid-19.
O vírus Nipah ganhou projeção mundial ao inspirar o filme “Contágio”, lançado em 2011, cuja trama se baseia em um surto real ocorrido em 1999, na vila de Sungai Nipah, na Malásia. Na ocasião, mais de uma centena de pessoas morreram, e a epidemia devastou a economia local, especialmente a criação de porcos, principal foco de transmissão naquele episódio.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Nipah é uma doença zoonótica, capaz de ser transmitida de animais para humanos, entre pessoas ou por meio de alimentos contaminados. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e inflamação na garganta, podendo evoluir para confusão mental, convulsões e encefalite. Em casos graves, a progressão é rápida, com risco de coma em até dois dias.
A taxa de letalidade é elevada, variando entre 40% e 75%, dependendo do acesso ao diagnóstico precoce e ao suporte clínico adequado. Não há, até o momento, medicamentos específicos desenvolvidos para o tratamento da infecção, o que torna a prevenção e o controle dos surtos medidas fundamentais.
Desde o primeiro registro, no fim da década de 1990, pequenos surtos também foram identificados na Índia e em Bangladesh. Embora não tenham alcançado grandes proporções globais, cada novo episódio reforça o temor de que o vírus Nipah continue sendo uma ameaça silenciosa, exigindo vigilância constante das autoridades de saúde e da população.
