O número de mortos em decorrência da forte tempestade de inverno que atinge os Estados Unidos chegou a 30 nesta terça-feira (27), em meio a um cenário de frio extremo, apagões em larga escala e colapso no sistema de transportes. O fenômeno climático, associado a uma distorção do vórtice polar, espalhou neve, gelo e temperaturas perigosamente baixas por dezenas de estados, afetando milhões de pessoas.
Entre as vítimas estão sete passageiros de um avião que caiu durante a decolagem em meio a uma intensa nevasca no estado do Maine, na noite do último domingo (25). O acidente ocorreu enquanto o país enfrentava condições severas, com mais de 30 centímetros de neve acumulados em cerca de 20 estados. A combinação de neve seca, ventos fortes e gelo tornou estradas quase intransitáveis, reduziu drasticamente a visibilidade e dificultou o trabalho das equipes de emergência.
Na manhã desta terça, mais de 530 mil residências e estabelecimentos comerciais ainda estavam sem energia elétrica, principalmente no sul do país. Estados como Tennessee, Mississippi e Louisiana foram duramente atingidos após o peso do gelo derrubar linhas de transmissão. Autoridades alertam que a recuperação pode levar dias, já que muitas dessas regiões não possuem estrutura adequada para lidar com eventos climáticos desse porte.
As temperaturas devem cair ainda mais nos próximos dias com a chegada de uma massa de ar ártico, sobretudo nas regiões do norte, onde a sensação térmica pode alcançar impressionantes –45°C. Especialistas apontam que o frio intenso, aliado à persistência da neve em pó, aumenta o risco de novos acidentes e agrava as dificuldades na limpeza urbana e na restauração dos serviços básicos.
Mortes foram registradas em diferentes partes do país, incluindo casos de hipotermia, acidentes de trânsito e ocorrências domésticas relacionadas ao frio. Em Nova York, oito pessoas foram encontradas sem vida, e as autoridades abriram investigações para apurar as circunstâncias. Já no Texas, uma adolescente morreu em um acidente com trenó, enquanto outros óbitos foram confirmados na Louisiana e em Iowa.
O impacto da tempestade levou à decretação de estado de emergência em cerca de vinte estados, incluindo a capital Washington, D.C. O setor aéreo foi um dos mais afetados: aeroportos importantes praticamente suspenderam as operações, e mais de 22 mil voos foram cancelados desde o fim de semana, com milhares de atrasos registrados em todo o país.
Meteorologistas classificam o evento como um dos mais severos das últimas décadas e alertam para os riscos associados ao acúmulo de gelo, considerado potencialmente catastrófico. O fenômeno está ligado ao deslocamento do vórtice polar, uma grande massa de ar frio que normalmente permanece sobre o Ártico, mas que avançou em direção ao sul.
Embora cientistas indiquem que a maior frequência dessas perturbações possa ter relação com as mudanças climáticas, o tema segue em debate. O episódio reacendeu discussões políticas sobre o assunto, inclusive com manifestações públicas de líderes céticos quanto ao aquecimento global. Enquanto isso, autoridades seguem concentradas em salvar vidas, restabelecer serviços e enfrentar os efeitos de uma tempestade que já entrou para a história recente dos Estados Unidos.