O número de mortos em decorrência da violenta repressão aos protestos em todo o Irã subiu para 6.126, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (27) pela Human Rights Activists News Agency (HRANA), organização de direitos humanos baseada nos Estados Unidos que monitora a crise no país. Entre as vítimas estariam pelo menos 5.777 manifestantes, além de 214 membros das forças governamentais, 86 crianças e 49 civis que não participavam dos atos. A entidade também informou que mais de 41,8 mil pessoas foram presas desde o início das manifestações em dezembro.
O governo iraniano contesta esses números, afirmando que foram registradas 3.117 mortes, das quais 2.427 eram civis ou agentes de segurança, e classificando os demais como “terroristas”. Essa discrepância nos dados reflete as dificuldades de verificação em meio a um prolongado blackout na internet e restrições de acesso à informação dentro do país.
As manifestações tiveram início no final de dezembro, inicialmente motivadas pela insatisfação com a crise econômica e a queda acentuada do valor do rial, e se transformaram em protestos generalizados contra o governo e a repressão estatal. A resposta das autoridades tem sido marcada por uso intenso de força, gerando um dos episódios mais sangrentos de confrontos internos no Irã em décadas.
O aumento no balanço de mortos ocorre em um momento de crescente preocupação internacional. Na segunda-feira (26), um porta-aviões norte-americano, acompanhado por um grupo de ataque, chegou ao Oriente Médio, em uma movimentação que analistas interpretam como parte de uma possível resposta dos Estados Unidos à repressão no Irã. A presença militar norte-americana também eleva as tensões em uma região já marcada por conflitos geopolíticos complexos.
A situação continua sensível, com defensores dos direitos humanos pedindo maior pressão internacional para proteger civis e monitorar possíveis abusos, enquanto as autoridades iranianas mantêm uma postura firme, alegando que suas ações visam restaurar a ordem e enfrentar grupos que, segundo o regime, promovem violência no país.