O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso contra o Irã e deixou em aberto a possibilidade de um novo ataque militar caso Teerã não aceite negociar um acordo sobre armas nucleares. A declaração foi feita nesta quarta-feira (28), após o governo iraniano rejeitar a retomada de conversas sob pressão militar.
Em mensagem publicada na rede Truth Social, Trump afirmou esperar que o Irã “sente em breve à mesa para negociar um acordo justo e equilibrado para todas as partes”, ressaltando que o entendimento deveria excluir qualquer tipo de armamento nuclear. O presidente também destacou que um contingente expressivo da Marinha norte-americana segue em deslocamento na direção da região, em um sinal claro de demonstração de força.
Ao reforçar o tom de ameaça, Trump afirmou que o tempo para um acordo está se esgotando e fez referência direta aos ataques conduzidos pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas no ano passado. Segundo ele, uma eventual nova ofensiva teria proporções ainda maiores, elevando o nível de alerta internacional em torno do conflito.
A resposta de Teerã veio rapidamente. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou em pronunciamento televisionado que a diplomacia não pode avançar sob a sombra de ameaças militares, classificando essa postura como ineficaz e improdutiva. O governo iraniano reiterou que não aceitará negociações enquanto houver pressão armada por parte de Washington.
A escalada retórica ocorre em um contexto já marcado por forte instabilidade no Oriente Médio. Desde que os Estados Unidos apoiaram a ofensiva de 12 dias de Israel contra a República Islâmica, em junho, com o objetivo de enfraquecer os programas nucleares e de mísseis balísticos iranianos, Trump tem evitado descartar publicamente a opção militar.
No início deste mês, o presidente norte-americano já havia ameaçado novas ações contra o Irã, desta vez em reação à repressão de protestos antigovernamentais no país. As declarações mais recentes reacendem o temor de um confronto de maiores proporções e colocam a comunidade internacional em alerta diante do risco de um novo capítulo de instabilidade envolvendo duas das principais potências em disputa na região.
