O prefeito do Recife, João Campos (PSB), voltou a se posicionar nesta terça-feira (27) sobre a investigação da Polícia Civil de Pernambuco que teve como alvos o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro, e o irmão dele, Eduardo Monteiro, assessor da gestão municipal. Em entrevista à CNN Brasil, o gestor elevou o tom das críticas e afirmou que a corporação teria sido instrumentalizada para fins políticos, classificando a apuração como um ato criminoso e incompatível com o regime democrático.
Segundo João Campos, o procedimento não teve origem em um boletim de ocorrência nem na abertura formal de inquérito policial, o que, para ele, torna a investigação clandestina. O prefeito comparou a situação a práticas adotadas durante a ditadura militar e disse que o episódio representa um grave retrocesso institucional. De acordo com Campos, apesar da ampla repercussão do caso na imprensa, a própria polícia teria reconhecido posteriormente que a investigação foi arquivada e que nada foi encontrado contra os investigados, reforçando a inocência dos envolvidos.
O prefeito afirmou que já solicitou oficialmente à Secretaria de Defesa Social informações detalhadas sobre como a apuração foi iniciada, quais registros formais foram feitos e quem teria autorizado a realização do procedimento. Ele também questionou a coletiva de imprensa concedida pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, e pelo chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Felipe Costa, alegando que nenhuma prova concreta foi apresentada para justificar a ação.
João Campos destacou ainda que não houve apresentação de qualquer documento que comprove a legalidade da investigação e ressaltou que a própria Polícia Civil informou, em nota, que nenhum inquérito foi instaurado. Para o prefeito, é inadmissível a instalação de um rastreador em um veículo oficial da prefeitura sem autorização judicial, ainda mais quando se trata de um equipamento adquirido fora dos canais institucionais.
Ao reforçar suas críticas, Campos classificou o episódio como um ato de autoritarismo e fez referência a casos recentes e históricos, como o da chamada “Abin Paralela” e aos métodos de repressão utilizados durante o regime militar, a exemplo do DOI-CODI. Para ele, práticas dessa natureza não podem ser toleradas em um Estado democrático de direito e precisam ser denunciadas para que não se repitam.
