O governo dos Estados Unidos informou nesta quarta-feira (28) a suspensão de dois agentes de imigração envolvidos no ataque a tiros que resultou na morte de um civil em Minneapolis, em meio a um cenário de forte tensão política e social na cidade. A decisão foi anunciada após declarações do presidente Donald Trump, que, ao mesmo tempo em que prometeu “desescalar” a situação, voltou a atacar publicamente o prefeito da cidade, Jacob Frey. Minneapolis segue abalada pela morte de Alex Pretti, de 37 anos, baleado no último sábado por agentes da Patrulha de Fronteira, poucos dias depois de outro episódio fatal envolvendo a polícia de imigração, que vitimou Renee Good, também de 37 anos.
Segundo a Patrulha de Fronteira, os dois agentes implicados no caso de Pretti foram afastados ainda no dia do ocorrido, em um procedimento classificado como protocolo padrão. Reportagem do The New York Times aponta que os policiais suspensos são os mesmos que dispararam dez vezes contra a vítima enquanto outros agentes tentavam contê-la no chão. O episódio reacendeu o debate sobre o uso da força por autoridades federais e a atuação de órgãos de imigração em áreas urbanas.
Apesar de declarar que deseja reduzir as tensões, Trump endureceu o tom ao criticar o prefeito democrata de Minneapolis por se recusar a cooperar com as autoridades federais na repressão a imigrantes em situação irregular. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que a postura de Frey configura uma grave violação da lei e acusou o prefeito de “brincar com fogo”. A resposta veio rapidamente. Frey reafirmou que o papel da polícia local é proteger os cidadãos e não atuar como braço da política federal de imigração, destacando que seu objetivo é evitar homicídios, e não perseguir trabalhadores e famílias.
O embate ocorre em meio a operações federais intensificadas na cidade. A procuradora-geral Pam Bondi anunciou a prisão de 16 pessoas suspeitas de agredir agentes federais e sinalizou que novas detenções devem ocorrer. Em contraponto, líderes religiosos também se manifestaram. O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Paul Coakley, criticou o que chamou de um clima crescente de medo e polarização, alimentado, segundo ele, pelo desrespeito à dignidade humana.
A ofensiva do governo Trump em Minnesota está ligada a investigações sobre suposta corrupção envolvendo imigrantes somalis, tema frequentemente explorado pelo presidente em ataques à congressista democrata Ilhan Omar, nascida na Somália. A parlamentar foi alvo de um incidente na noite de terça-feira, quando um homem avançou em sua direção portando uma seringa com um líquido não identificado. O agressor foi contido e preso, e o FBI investiga o caso. Ilhan não ficou ferida e seguiu com seu discurso, mas afirmou posteriormente que a retórica do presidente contribui para estimular esse tipo de violência. Trump, por sua vez, minimizou o episódio e sugeriu, sem apresentar provas, que poderia se tratar de uma encenação.
As declarações do presidente contrastam com a tentativa de membros do próprio governo de reduzir o desgaste. Após inicialmente classificar Pretti como um “assassino em potencial”, o conselheiro presidencial Stephen Miller reconheceu que as autoridades analisam se os agentes da Patrulha de Fronteira seguiram corretamente os protocolos. Vídeos que circulam na imprensa e foram analisados por agências de notícias colocam em dúvida a versão de que o enfermeiro representava uma ameaça, já que ele portava legalmente uma arma e não chegou a sacá-la.
Enquanto investigações avançam e novas imagens vêm à tona, a condução da ofensiva anti-imigração passou a ser liderada por Tom Homan, enviado de Trump, após a saída do chefe da Patrulha de Fronteira. Em Minneapolis, o clima é de apreensão. Comerciantes e moradores relatam impactos diretos na rotina e no sentimento de segurança. “Isso transtornou a nossa vida”, disse Dylan Alverson, dono de um café que passou a oferecer refeições gratuitas a quem precisa. Para ele, a cidade atravessa um momento que deixará marcas profundas e difíceis de apagar.
