O ministro Dias Toffoli saiu em defesa de sua atuação no Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito que apura suspeitas envolvendo o Banco Master. Em nota divulgada nesta quinta-feira (29), o magistrado afirmou que o sigilo imposto ao processo tem como objetivo evitar vazamentos que possam comprometer as investigações ainda em curso. Segundo ele, somente após a conclusão dos trabalhos será possível avaliar se o caso deverá ou não ser remetido à primeira instância, sem risco de nulidades ou questionamentos relacionados ao foro por prerrogativa de função, à ampla defesa ou ao devido processo legal.
Toffoli destacou que todos os pedidos de nulidade apresentados até o momento foram rejeitados, inclusive aqueles que alegavam violação de foro e uma tentativa de composição amigável entre as partes, proposta pela defesa de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. O ministro reforçou que o inquérito permanece sob sigilo em razão de diligências pendentes e lembrou que, em janeiro, a Polícia Federal solicitou a prorrogação do prazo de investigação por mais 60 dias, pedido que foi autorizado. De acordo com a nota, somente após o encerramento dessa fase será possível analisar com segurança eventual envio do caso às instâncias ordinárias.
Em meio ao aumento das críticas direcionadas ao relator, o ministro Gilmar Mendes também se manifestou publicamente em apoio a Toffoli. Em publicação nas redes sociais, o decano do STF afirmou que a condução do processo segue os parâmetros constitucionais e legais, ressaltando a importância da independência judicial e do respeito às instâncias institucionais para a preservação da confiança da sociedade no Judiciário. Gilmar lembrou ainda que a Procuradoria-Geral da República considerou regular a permanência de Toffoli na relatoria das investigações.
As críticas ao ministro ganharam força após a divulgação de informações sobre vínculos envolvendo familiares de Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As revelações levantaram questionamentos entre juristas sobre um possível conflito de interesses. O centro da controvérsia é o Tayayá Resort, no Paraná, empreendimento que já teve ligação com parentes do ministro e foi alvo de negociações envolvendo Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e os irmãos de Toffoli, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli.
Diante do debate, o Supremo se vê novamente no centro das atenções, com discussões que extrapolam o caso específico e reacendem reflexões sobre transparência, imparcialidade e os limites institucionais da atuação judicial em investigações sensíveis.