A visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta quinta-feira (29), em Brasília, provocou uma reação imediata no Palácio do Planalto e acirrou o clima político nacional. Um dia depois do encontro, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), rebateu publicamente as declarações do governador, que afirmou que o Brasil vive uma “crise moral” e uma “crise fiscal”.
Em tom duro, Gleisi questionou a legitimidade do discurso adotado por Tarcísio e trouxe à tona o financiamento das campanhas do governador e de Bolsonaro. Segundo a ministra, o maior doador individual das duas campanhas foi Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, que foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. Para a petista, o dado enfraquece o argumento moral levantado pelo governador paulista após a visita ao ex-presidente.
A ministra também contestou a avaliação de Tarcísio sobre a situação econômica do país. De acordo com ela, a crise fiscal mencionada pelo governador não é resultado do atual governo, mas sim uma herança da gestão Bolsonaro, que teria deixado um rombo estimado em R$ 255 bilhões nas contas públicas. Gleisi usou o episódio para reforçar críticas recorrentes à condução econômica do governo anterior e para defender que o debate político seja feito com base em responsabilidades concretas.
A visita de Tarcísio ocorreu na unidade prisional conhecida como Papudinha, onde Bolsonaro cumpre pena. Ao deixar o local, o governador fez declarações que repercutiram fortemente no cenário político. Além de reafirmar sua proximidade com o ex-presidente, ele anunciou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República nas eleições deste ano e confirmou a intenção de disputar a reeleição ao governo de São Paulo.
Durante a fala à imprensa, Tarcísio defendeu a construção de uma alternativa política para o país, alinhada ao projeto liderado por Bolsonaro e por seu grupo. Para ele, o Brasil enfrenta desafios que vão além da economia e exigem uma resposta política organizada. A declaração foi interpretada por aliados do governo federal como um gesto de antecipação do embate eleitoral e de consolidação de um discurso oposicionista.
A resposta de Gleisi Hoffmann evidencia que a visita não teve apenas caráter pessoal ou simbólico, mas reacendeu disputas políticas e narrativas que devem ganhar ainda mais força ao longo do ano eleitoral. O episódio mostra que, mesmo fora do cargo, Bolsonaro segue como peça central no tabuleiro político, capaz de mobilizar aliados e provocar reações no núcleo do governo federal.
