A revelação de e-mails com conteúdo racista e misógino atribuídos a Yuri Coriolano levou à sua saída do comando da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal de Pernambuco (EPTI) nesta sexta-feira (30). As mensagens, datadas de 2012, vieram a público após divulgação do portal Vero Notícias e provocaram forte repercussão política e institucional, culminando na exoneração do dirigente.
Nos e-mails, escritos quando Coriolano tinha 19 anos e participava de um grupo da faculdade, há frases de teor ofensivo contra pessoas negras e comentários agressivos ao tratar do debate sobre aborto e direitos das mulheres. O conteúdo rapidamente gerou reações nas redes sociais e pressões pela sua saída do cargo, diante da incompatibilidade das declarações com a função pública que exercia.
Após a repercussão, Coriolano se manifestou por meio de publicações em seus stories no Instagram, confirmando a autoria das mensagens e pedindo desculpas. Ele afirmou que as frases não representam seus valores atuais nem sua trajetória pessoal e profissional, destacando que é filho de pai negro, casado com uma mulher negra e que atua como advogado militante. Segundo ele, o episódio remete a um período de imaturidade e não deve ser naturalizado, embora tenha criticado o que chamou de tentativa de “assassinato de reputação” por parte de adversários políticos.
A situação ganhou ainda mais peso pelo histórico recente do governo estadual. Coriolano integra a gestão da governadora Raquel Lyra desde o início do mandato e, antes de assumir a presidência da EPTI, atuava como secretário executivo da Casa Civil, cuidando das articulações políticas. Ele chegou ao comando da empresa após a saída do ex-presidente do órgão, em meio a denúncias envolvendo a empresa de ônibus do pai da governadora.
Ao longo do dia, Raquel Lyra manteve agendas administrativas e só se pronunciou no fim da tarde. Em declaração objetiva, a governadora afirmou que o governo não tolera misoginia, preconceito ou qualquer forma de racismo e confirmou que o dirigente havia deixado o cargo, tratando o assunto como encerrado. A exoneração foi confirmada por fontes do Palácio do Campo das Princesas e será oficializada no Diário Oficial deste sábado (31).
Pouco depois, Yuri Coriolano divulgou nota oficial comunicando seu desligamento da presidência da EPTI. No texto, reiterou o reconhecimento do erro, pediu desculpas pelo impacto causado e afirmou que a decisão de deixar o cargo foi tomada para preservar a instituição, o governo e o regular funcionamento da administração pública. Ele também reafirmou respeito à governadora, aos servidores e à sociedade pernambucana.
O governo estadual ainda não anunciou quem assumirá a presidência da EPTI. O episódio reacende o debate sobre responsabilidade pública, passado digital e os limites entre erros pretéritos e a exigência de conduta compatível com cargos de liderança no serviço público.
