Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista concedida nesta segunda-feira (2) à rádio Fan FM, em Aracaju. Em uma fala carregada de ironia, o parlamentar comparou o petista a um “Chevrolet Opala velho”, afirmando que o atual chefe do Executivo estaria ultrapassado e desconectado das demandas do país.
Segundo Flávio, Lula teria vivido um momento de prestígio no passado, mas hoje representaria um projeto político esgotado. Para ilustrar a crítica, o senador recorreu à história do modelo da Chevrolet, lançado em 1968 como símbolo de luxo e status no Brasil e cuja produção foi encerrada no início da década de 1990. Na avaliação do parlamentar, a imagem do carro resume o que ele considera um governo sem fôlego para conduzir o país em um cenário de rápidas transformações.
Além do ataque pessoal, Flávio Bolsonaro direcionou críticas ao posicionamento do presidente em relação à tecnologia, especialmente à Inteligência Artificial. O senador questionou o fato de Lula não utilizar celular e o acusou de tratar a IA de forma limitada, enxergando a ferramenta apenas como um risco ligado à manipulação de imagens e vídeos nas redes sociais. Para ele, a tecnologia deveria ser encarada como estratégica para um governo que se proponha a dialogar com a modernidade.
Lula, por sua vez, tem adotado um discurso cauteloso sobre o avanço da Inteligência Artificial, com foco nos riscos associados às fake news, aos algoritmos das plataformas digitais e à manipulação de conteúdos, especialmente em casos que envolvem a exposição e a violência contra mulheres. Em declarações recentes, o presidente defendeu maior atenção e responsabilidade no uso dessas ferramentas. Procurado por meio da Secretaria de Comunicação da Presidência, ele não comentou as declarações do senador.
Na entrevista, Flávio também defendeu o uso da IA como instrumento fundamental para a segurança pública, área que tende a ocupar papel central no debate eleitoral de 2026. Pesquisas recentes indicam que a violência segue como uma das maiores preocupações da população brasileira, o que pode influenciar diretamente o discurso dos pré-candidatos.
Encerrando a entrevista, o senador afirmou que Lula estaria perdendo força eleitoral no Nordeste, região historicamente associada ao PT. De acordo com Flávio, levantamentos recentes apontariam crescimento da oposição em estados estratégicos, enquanto outros ainda vivem um cenário indefinido, marcado por disputas internas e negociações políticas. A fala antecipa o clima de polarização que deve dominar a corrida presidencial e sinaliza que o embate retórico já começou, muito antes do início oficial da campanha.
