Às vésperas do Carnaval, as ruas de Recife e Olinda já começam a ser tomadas pelas cores, frevos e símbolos que fazem da festa pernambucana uma das mais tradicionais do país. Em meio às prévias e à crescente expectativa dos foliões, dois ícones do Carnaval local voltaram ao centro das atenções: os blocos Eu Acho é Pouco e Pitombeira dos Quatro Cantos. O aumento expressivo na procura por suas camisas, impulsionado tanto pelo período carnavalesco quanto pela repercussão do filme O Agente Secreto, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, acendeu também um alerta jurídico.
A visibilidade ganhou força especialmente após o ator Wagner Moura aparecer em cena vestindo a camisa retrô da Pitombeira, gesto que rapidamente extrapolou as telas e se refletiu nas vendas — não apenas das peças oficiais, mas também de versões falsificadas que passaram a circular em plataformas digitais de comércio eletrônico, dentro e fora de Pernambuco.
Diante do avanço da pirataria, os departamentos jurídicos das agremiações decidiram agir. Advogados que representam os blocos afirmam que os responsáveis pela comercialização irregular já foram notificados e que medidas judiciais estão em andamento. Segundo eles, trata-se de um caso claro de uso indevido de marca aliado à prática de pirataria, o que fere direitos assegurados por registros oficiais no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
No caso do Eu Acho é Pouco, a proteção da marca se estende por diferentes classes, e a vigilância sobre ambientes digitais ocorre de forma contínua, justamente para conter a venda de produtos não autorizados. A preocupação vai além da preservação da identidade visual: está diretamente ligada à sobrevivência financeira das agremiações.
A venda das camisas oficiais representa uma das principais fontes de recurso para os blocos, responsáveis por manter orquestras, alegorias e toda a estrutura que garante o brilho do Carnaval. Para Matheus Barros, diretor de Comunicação da Pitombeira, ver o trabalho de décadas sendo prejudicado pela falsificação causa frustração. Ele destaca que muitos dos que produzem ou compram as peças ilegais desconhecem — ou ignoram — o peso cultural dessas agremiações e o quanto cada valor arrecadado é essencial para manter viva a tradição.
O alerta também se estende a outros símbolos históricos do Carnaval pernambucano, como o Cariri e O Homem da Meia-Noite, que enfrentam desafios semelhantes. As agremiações reforçam que as camisas oficiais só podem ser adquiridas por meio de canais e pontos de venda autorizados, garantindo que o dinheiro investido pelos foliões retorne em forma de cultura, música e festa nas ruas.
Para quem deseja apoiar os blocos e vestir a tradição de forma legítima, as informações oficiais estão disponíveis nos perfis @turmadapitombeira e @euachoepouco.
