A ameaça representada pelo Estado Islâmico voltou a crescer no cenário internacional e ganhou contornos ainda mais sofisticados desde meados de 2025. O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas (ONU), que vê o grupo extremista se reinventando para sobreviver, ampliar sua influência e manter sua capacidade de ataque em diferentes regiões do planeta.
Em pronunciamento ao Conselho de Segurança, o representante do Escritório das Nações Unidas para o Combate ao Terrorismo, Alexandre Zouev, destacou que o Estado Islâmico e facções associadas vêm expandindo sua presença sobretudo na África Ocidental e na região do Sahel. Ao mesmo tempo, o grupo mantém ações violentas no Iraque e na Síria, demonstrando uma atuação descentralizada, porém coordenada, que dificulta o enfrentamento por parte das autoridades locais e internacionais.
O Afeganistão também permanece no radar da ONU. Segundo Zouev, a ramificação conhecida como Estado Islâmico-Khorasan continua sendo uma das ameaças mais graves à estabilidade regional. Ataques recentes reforçam essa avaliação, incluindo a ação contra um restaurante chinês em Cabul, que deixou sete mortos e foi reivindicada pelo grupo.
A influência ideológica do Estado Islâmico também tem extrapolado fronteiras tradicionais de conflito. De acordo com a ONU, o tiroteio ocorrido em dezembro durante uma festa judaica em uma praia da Austrália, que resultou na morte de 15 pessoas, foi inspirado diretamente pela doutrina extremista do grupo, evidenciando seu alcance global mesmo sem uma presença operacional direta.
No continente africano, sinais de fortalecimento preocupam ainda mais. No fim de janeiro, o Estado Islâmico assumiu a autoria de um ataque contra o principal aeroporto do Níger, episódio que confirmou o avanço do grupo na região do Sahel, atualmente marcada por instabilidade política, fragilidade institucional e conflitos armados prolongados.
Na Síria, o cenário também é considerado delicado. A retirada das forças curdas de áreas onde administravam prisões com milhares de jihadistas e campos que abrigavam familiares de combatentes criou um ambiente de insegurança, aumentando o risco de fugas, reorganização e novos focos de radicalização.
Além da expansão territorial, a ONU chama atenção para a modernização das estratégias do Estado Islâmico. Natalia Gherman, que coordena a Direção Executiva do Comitê contra o Terrorismo, afirmou que o grupo tem incorporado tecnologias avançadas às suas operações. O uso de criptomoedas e outros ativos virtuais, aliado a ferramentas cibernéticas, drones e aplicativos sofisticados de inteligência artificial, tornou-se parte central dessa nova fase.
Segundo Gherman, a inteligência artificial vem sendo usada de forma crescente para fins de propaganda, radicalização e recrutamento, com um foco especialmente preocupante em jovens e até crianças. A combinação entre tecnologia de ponta e discurso extremista, alerta a ONU, cria desafios inéditos para a segurança internacional e exige respostas mais rápidas, coordenadas e inovadoras por parte dos Estados.
Diante desse cenário, a advertência das Nações Unidas é clara: o Estado Islâmico não apenas sobreviveu aos golpes sofridos nos últimos anos, como também aprendeu a se adaptar a um mundo cada vez mais digital e interconectado, ampliando riscos e exigindo vigilância constante da comunidade internacional.
