A Prefeitura de Goiana divulgou a programação oficial do Carnaval 2026 na Praça do Carmo, prometendo diversidade de ritmos, valorização cultural e impacto positivo na economia local. A grade reúne nomes consagrados da música regional e nacional e, segundo a gestão municipal, foi pensada para garantir uma festa plural, democrática e espalhada por toda a cidade, com polos também nos distritos.
Mas fora do tom institucional, o clima é bem menos celebratório.
Parte da população e da classe artística afirma que, apesar do volume de atrações e da presença de artistas conhecidos, o carnaval deste ano não empolga como antes — e a comparação com 2025 tem sido recorrente. Naquele período, quando Alexandre Carvalho estava à frente da Secretaria de Turismo e Cultura durante a gestão interina municipal, músicos e produtores dizem ter vivido uma fase de maior diálogo, descentralização dos polos e valorização mais ampla das tradições locais.
Representantes do setor cultural apontam que a gestão passada combinava grandes nomes nacionais com maior rotatividade de artistas da terra, distribuição mais equilibrada das atrações entre sede e distritos e a criação do primeiro polo alternativo da cidade formado apenas por músicos locais no palco principal. Também citam reajustes de cachês para agremiações tradicionais e uma política de maior estímulo às manifestações populares do carnaval.
Em 2026, no entanto, o cenário descrito pelos críticos é outro. Mesmo diante de uma programação extensa — que inclui orquestras de frevo, bandas de samba, reggae e forró —, surgem reclamações de que a legislação municipal que prevê equilíbrio entre atrações locais e externas não estaria sendo respeitada. Há queixas ainda sobre a retirada de polos e cortejos culturais de parte do calendário oficial, cortes de cachês para grupos históricos e a repetição constante das mesmas bandas em diversos eventos recentes, o que, para músicos independentes, reduz oportunidades e empobrece a diversidade artística.
As críticas se concentram na atual condução da secretaria, hoje sob responsabilidade de Ítalo César. Nos bastidores, artistas relatam perseguição a músicos ligados à oposição e, ao mesmo tempo, falta de espaço até para profissionais que apoiaram a atual gestão — quadro que, segundo eles, revela fragilidade na articulação com o setor cultural e insegurança generalizada.
Enquanto o prefeito Marcílio Régio afirma que o carnaval foi pensado para valorizar artistas locais, movimentar a economia e reforçar a identidade cultural do município, e o secretário sustenta que a grade dialoga com diferentes públicos e fortalece as tradições da cidade, críticos argumentam que política cultural vai além da escolha de grandes nomes. “Não é só montar palco e contratar atração famosa. É garantir espaço para quem vive aqui e constrói essa festa todo ano”, resume um músico ouvido pela reportagem.
Entre notas oficiais otimistas e bastidores carregados de insatisfação, o Carnaval de Goiana volta a se tornar termômetro político. Para uma parcela da classe artística e da população, a ausência de Alexandre Carvalho na condução da pasta representa um divisor de águas — e o modelo atual, em vez de entusiasmo, vem acumulando questionamentos e insatisfações.
