A Praia de Copacabana já se acostumou a receber gigantes da música internacional, mas no próximo dia 2 de maio será a vez de Shakira comandar a orla mais famosa do país em um espetáculo que promete entrar para a história do projeto Todo Mundo no Rio. A confirmação da colombiana como atração principal reforça o peso global do evento e coloca no centro do palco uma artista que ajudou a pavimentar o caminho para a atual hegemonia latina no pop mundial.
Mesmo não se encaixando na lógica da “escassez” adotada pela produtora — já que esteve no Brasil recentemente —, Shakira chega em um momento estratégico. O cenário internacional vive uma onda latina liderada por nomes como Bad Bunny, mas foi ela, ainda no fim dos anos 1990, quem abriu as portas do mercado norte-americano e europeu para artistas de língua espanhola.
O salto começou com “Dónde están los ladrones?”, álbum produzido por Emilio Estefan que dominou as paradas latinas nos Estados Unidos com sucessos como “Ciega, sordomuda”, “Tú” e “Ojos así”, faixa que evidenciou suas raízes libanesas ao incorporar elementos da dança do ventre. Anos depois, já consolidada, inovou ao lançar discos simultâneos em espanhol e inglês. Foi desse movimento que surgiu “Hips Don’t Lie”, parceria com Wyclef Jean que misturava pop e reggaeton e alcançou o topo das paradas ao redor do mundo, selando de vez seu status internacional.
A trajetória seguiu sólida até ganhar contornos de renascimento artístico a partir de 2022, após o fim do casamento com o ex-jogador Gerard Piqué. A resposta veio em forma de música. “Shakira: Bzrp Music Sessions, Vol. 53”, lançada em 2023, dominou o streaming global com versos afiados e se tornou um dos maiores fenômenos da música latina recente. O álbum “Las mujeres ya no lloran”, lançado no ano seguinte, aprofundou a narrativa de dor e superação, alcançando destaque nas paradas e rendendo à cantora o Grammy de melhor álbum de pop latino.
A turnê do disco quebrou recordes de bilheteria para uma artista latina, com centenas de milhões de dólares arrecadados e milhões de ingressos vendidos. É esse espetáculo grandioso que deve ecoar nas areias de Copacabana. O repertório percorre todas as fases da carreira: do início com “Estoy aquí” aos hinos globais como “Waka Waka”, passando por faixas dançantes como “La bicicleta”, “TQG” e “Copa vacía”, além dos sucessos mais recentes que celebram independência e liberdade.
No Rio, a conexão com o público brasileiro tende a ser um capítulo à parte. Fluente em português e habituada a demonstrar carinho pelo país — já interpretou até clássicos nacionais em apresentações anteriores —, Shakira deve preparar momentos especiais para a plateia que deve lotar a praia, formada não apenas por brasileiros, mas por fãs vindos de diferentes países da América Latina.
Carismática e segura, ela reúne no palco a energia da jovem roqueira que despontou nos anos 1990 e a força da artista madura que transformou experiências pessoais em fenômeno cultural. Em Copacabana, diante do mar e de uma multidão, a estrela colombiana terá a chance de reafirmar algo que o pop global já reconhece: o ritmo agora fala espanhol — e Shakira foi uma das primeiras a ensinar o mundo a dançá-lo.
