A divulgação de milhões de documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein voltou a colocar o escândalo no centro das atenções — desta vez, com menções a nomes e instituições brasileiras. Os arquivos, tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, incluem e-mails, registros financeiros, contatos de agenda e outros materiais que vêm sendo analisados desde a morte do empresário, em 2019, quando ele estava preso e respondia a acusações de comandar, ao lado de Ghislaine Maxwell, uma rede internacional de exploração e tráfico sexual de menores.
Epstein, que mantinha relações com empresários, políticos e celebridades ao redor do mundo, aparece nos documentos trocando mensagens e avaliando possíveis conexões no Brasil. É importante ressaltar que a simples citação de nomes nos registros não implica envolvimento em crimes, mas indica algum tipo de contato, referência ou menção em comunicações analisadas pelas autoridades.
Entre os brasileiros citados está o arquiteto Arthur Casas. Em nota enviada à imprensa, seu escritório confirmou que, em 2016, ele foi procurado para avaliar um possível projeto de reforma em uma das propriedades de Epstein. Casas realizou uma visita técnica ao local, mas a negociação não avançou e nenhum trabalho foi executado.
O empresário Eike Batista e sua ex-esposa, a modelo Luma de Oliveira, também aparecem em trocas de e-mails. Em uma mensagem de 2012, Epstein questiona o agente francês Jean-Luc Brunel sobre Luma. A assessoria de Eike afirmou que ele nunca conheceu Epstein e classificou as menções como “meramente incidentais e sem qualquer relevância”, destacando que não é correto associar seus nomes a eventos ou atividades promovidas pelo empresário americano.
Outro nome que surgiu nos documentos é o da apresentadora Luciana Gimenez. Registros financeiros divulgados este ano apontam transferências nas quais ela aparece como destinatária, em arquivos datados de 2014, 2018 e 2019. No entanto, os documentos não esclarecem a origem dos valores nem estabelecem ligação direta com Epstein ou com práticas ilícitas. Gimenez se pronunciou publicamente nas redes sociais, negando qualquer relação com o empresário.
A ex-modelo da Victoria’s Secret Izabel Goulart também foi mencionada em um e-mail no qual Epstein afirma que ela teria se hospedado em seu apartamento em Nova York. Por meio de seu advogado, Izabel negou a informação, esclarecendo que, ao se mudar para a cidade para trabalhar, dividiu um imóvel com outras modelos, cedido pela agência que a representava na época, e que jamais esteve hospedada em propriedade de Epstein.
Entre os materiais divulgados, chamou atenção ainda a presença de um vídeo de uma pegadinha exibida em um programa de Silvio Santos. As imagens mostram atores escondidos em um suposto canteiro de obras que lançam jatos de ar em pedestres desavisados, enquanto se ouve a risada característica do apresentador ao fundo. O arquivo aparece sem contexto nos registros oficiais, e não há explicação sobre sua inclusão no acervo do Departamento de Justiça americano.
De maneira geral, os documentos indicam que Epstein demonstrava interesse em estabelecer contatos no Brasil, incluindo a possibilidade de investir em agências de modelos e patrocinar concursos de beleza, estratégia que, segundo e-mails revelados, poderia ser usada como meio de aproximação com jovens.
A nova leva de arquivos amplia o alcance global do escândalo e reforça a complexidade de uma rede que, mesmo após a morte de seu principal personagem, continua a gerar repercussões internacionais e a levantar questionamentos sobre as conexões que orbitavam ao redor de Jeffrey Epstein.
