A Justiça norte-americana condenou a brasileira Juliana Peres Magalhães a dez anos de prisão por participação em um dos crimes mais chocantes registrados nos últimos anos no estado da Virgínia. A sentença foi proferida na última sexta-feira (13) pelo Tribunal do Condado de Fairfax, encerrando uma etapa decisiva de um caso que ganhou repercussão internacional.
Juliana, que atuava como babá, havia se declarado culpada por homicídio culposo, o que levou os promotores a recomendarem sua libertação. A sugestão, porém, foi rejeitada pela juíza Penney Azcarate, que optou por aplicar a pena máxima prevista. Ao justificar a decisão, a magistrada afirmou que a ré não merecia “nada além de prisão e uma vida de reflexão” sobre o impacto de seus atos na vida das vítimas e de seus familiares.
Além de condenada, Juliana também se tornou peça-chave no julgamento de Brendan Banfield, considerado culpado em fevereiro por duas acusações de homicídio qualificado pelo mesmo tribunal. O processo revelou detalhes de uma trama marcada por manipulação emocional, traição e violência extrema.
A brasileira chegou aos Estados Unidos em outubro de 2021 por meio do programa de intercâmbio au pair, que permite a jovens morar com famílias locais enquanto cuidam de crianças. Designada para viver na casa de Brendan e Christine Banfield, em Fairfax, Juliana passou a integrar o cotidiano do casal sem que, à época, houvesse indícios do desfecho trágico que se aproximava.
Em depoimento prestado durante o julgamento de Brendan, a babá afirmou que manteve um relacionamento amoroso com ele a partir de agosto de 2022. Segundo seu relato, meses depois o norte-americano teria compartilhado um plano para matar a esposa, alegando que o divórcio não seria uma opção. Ainda conforme o testemunho, os dois teriam atraído para a residência um homem chamado Joseph Ryan, conhecido em uma rede social voltada ao sadomasoquismo, com a intenção de incriminá-lo pelo assassinato de Christine.
O plano terminou em uma sequência de mortes. Juliana relatou que Brendan foi o primeiro a atirar contra Joseph e, em seguida, passou a esfaquear a esposa. Ao perceber que o homem ainda estava vivo, ela afirmou ter efetuado o segundo disparo. A brasileira declarou ainda que não tocou em Christine em nenhum momento. As duas vítimas morreram no local.
Após sete meses de investigação, Juliana foi presa em outubro de 2023. Brendan acabou detido quase um ano depois, em setembro de 2024. A condenação da babá encerra um capítulo judicial do caso, mas o impacto do crime segue provocando reflexões sobre responsabilidade, influência psicológica e os limites entre cumplicidade e autoria em crimes de extrema gravidade.
