O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) elevou o tom contra o governo federal e o Judiciário durante o ato “Acorda, Brasil”, realizado neste domingo (1º) na Avenida Paulista, em São Paulo. Diante de apoiadores da direita, o parlamentar afirmou que o “destino final” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, seria a prisão.
O discurso, marcado por palavras duras e ataques diretos, incluiu acusações de perseguição política contra o magistrado. Em tom desafiador, Nikolas declarou que “o Brasil não tem medo” de Moraes e se dirigiu nominalmente ao ministro com xingamentos, o que provocou reações efusivas da plateia presente no ato. Segundo o deputado, o país vive um momento de enfrentamento institucional e político, que, na sua visão, não pode ser recuado.
Ao longo da fala, Nikolas defendeu uma mobilização popular contínua e usou a expressão “avalanche verde e amarela” para se referir à pressão contra integrantes do Judiciário e do governo. “Se a gente derrubar um, cai outro, cai Moraes, cai todo mundo”, afirmou, sugerindo que a mudança viria por meio da força das ruas e da atuação política coordenada da oposição.
O parlamentar também voltou a defender a derrubada do veto presidencial ao projeto que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, reforçando o discurso em favor da anistia aos envolvidos. Segundo ele, o movimento iniciado nas manifestações seguirá pressionando o Congresso Nacional para rever as punições impostas aos réus.
O ato reuniu lideranças políticas e apoiadores do campo conservador e se soma a uma série de manifestações recentes que têm como pano de fundo o embate entre setores da direita, o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal. As declarações de Nikolas Ferreira, no entanto, chamaram atenção pelo tom agressivo e pela escalada retórica contra autoridades da República, reacendendo o debate sobre os limites do discurso político e a tensão entre os Poderes.