A política de Goiana começou a semana com recado direto, endereço certo e fotografia calculada. O ex-prefeito Eduardo Honório foi recebido nesta segunda (02), na sede do Partido Progressistas, no Recife, pelo deputado federal Lula da Fonte e pelo deputado estadual Antônio Moraes. Na mesa, café. Nos bastidores, cálculo. No discurso, a confirmação: é pré-candidato a deputado federal em 2026.
O gesto não foi apenas protocolar. Honório carrega no currículo dois mandatos à frente da Prefeitura de Goiana e, em 2024, saiu das urnas com 41.605 votos com a maior votação da história do município para o cargo de prefeito. Não tomou posse, é verdade. Mas mostrou musculatura eleitoral e, no primeiro semestre de 2025, foi peça central na eleição suplementar que garantiu a vitória do atual prefeito Marcílio Régio, derrotando a engrenagem da máquina adversária.
Agora, o ex-prefeito decide trilhar voo próprio. O encontro no PP sacramentou a dobradinha com Antônio Moraes, aliança que, para além da formalidade partidária, sinaliza construção de palanque estruturado e com lastro estadual. Traduzindo: Honório não entra na disputa para “marcar posição”. Entra para disputar voto e voto pesado.
Nos corredores da política goianense, a leitura é praticamente unânime: o movimento frustra planos que já eram tratados como certos no núcleo do governo municipal. A expectativa do prefeito Marcílio Régio e de aliados era pavimentar o caminho para que os deputados Guilherme Uchôa Júnior e Sileno Guedes concentrassem a maior fatia dos votos no município, fortalecendo seus projetos em 2026. Com Honório na pista, o script muda.
Honório mostrou, nas urnas, que tem capital político próprio. Ao se colocar como pré-candidato a federal, ele não apenas reorganiza o tabuleiro, ele divide o eleitorado do próprio campo que ajudou a eleger o atual governo. O racha, antes sussurrado, agora ganha contornos públicos. E na visão de alguns, obrigou o próprio grupo do atual governo a escolher entre a lealdade institucional e a sobrevivência eleitoral.
