O ator José Dumont, de 75 anos, foi preso na manhã desta quarta-feira (4) no bairro do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro. A ação foi realizada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, que cumpriu mandado de prisão expedido após condenação definitiva pelo crime de estupro de vulnerável.
De acordo com registros da investigação, o caso veio à tona em 2022, quando o artista teria levado para seu apartamento um menino de 11 anos, filho de uma ambulante que trabalhava na porta do prédio onde ele residia. Moradores do edifício denunciaram a situação às autoridades e relataram que a criança já teria estado no imóvel em outras ocasiões. A pena imposta foi de nove anos e quatro meses de reclusão, confirmada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, com trânsito em julgado — ou seja, sem possibilidade de novos recursos.
A prisão marca uma reviravolta dramática na trajetória de um ator que construiu carreira sólida ao longo de mais de quatro décadas. Nascido na Paraíba, Dumont iniciou sua caminhada artística no cinema, em 1977, ao interpretar Severino na adaptação de “Morte e Vida Severina”. Na televisão, ganhou projeção nacional ao viver o personagem Gil Marruá na primeira versão de Pantanal, exibida na década de 1990 pela extinta Rede Manchete.
Ao longo dos anos, integrou o elenco de diversas produções de destaque, como América, Terra Nostra, A História de Ana Raio e Zé Trovão e Mandacaru. Seu trabalho mais recente na TV Globo foi na novela Nos Tempos do Imperador, exibida em 2021. Após o início das investigações, a emissora informou que o ator foi retirado do elenco de Todas as Flores, produção lançada no Globoplay.
No cinema, também deixou marca em obras reconhecidas, como O Homem Que Virou Suco, A Hora da Estrela, Abril Despedaçado, Narradores de Javé, Era o Hotel Cambridge e Dois Filhos de Francisco, no qual interpretou o empresário Miranda.
Além da condenação por estupro de vulnerável, Dumont já havia sido sentenciado em 2023 por armazenar material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes. A decisão foi proferida pela juíza Gisele Guida de Faria, da 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente do Tribunal de Justiça fluminense. Segundo a sentença, ele mantinha grande quantidade de fotos e vídeos ilícitos em seu computador pessoal e telefone celular, tendo plena consciência da ilegalidade do conteúdo, circunstância considerada agravante na fixação da pena.
A prisão do ator provoca forte repercussão no meio artístico e entre o público que acompanhou sua trajetória ao longo de décadas. O caso também reacende o debate sobre responsabilização criminal, proteção de crianças e adolescentes e os impactos de acusações graves envolvendo figuras públicas.