O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, fez duras críticas a governadores que resistem à redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis, apontando omissão diante da alta no preço do óleo diesel. A declaração foi dada nesta quarta-feira (25), após reunião com representantes de caminhoneiros, em meio às discussões sobre o impacto dos custos no setor de transporte.
Ao lado das lideranças da categoria, o ministro afirmou que os profissionais não devem arcar com o que classificou como “irresponsabilidade” de distribuidoras e a falta de ação de gestores estaduais. Segundo ele, a redução do ICMS poderia contribuir para estabilizar os preços, especialmente em um cenário internacional tensionado, agravado por conflitos externos envolvendo o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Irã.
Nos últimos dias, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que os estados revisassem as alíquotas do imposto como forma de conter os aumentos registrados nos combustíveis. A proposta, no entanto, não foi bem recebida por secretários estaduais de Fazenda. Diante disso, a equipe federal passou a discutir alternativas, como um modelo de subvenção para a importação de combustíveis, com divisão de custos entre União e estados.
Boulos destacou que o encontro com os caminhoneiros teve como foco reafirmar compromissos do governo com a categoria, incluindo o reforço na fiscalização de postos de combustíveis para evitar práticas abusivas. Ele também afirmou que a decisão dos caminhoneiros de não realizar uma greve está relacionada a medidas adotadas pelo governo, especialmente no que diz respeito ao piso mínimo do frete, pauta antiga da categoria desde a paralisação nacional de 2018.
O ministro ainda criticou grupos que, segundo ele, tentam explorar o cenário de tensão para fins políticos, e garantiu que o governo continuará acompanhando de perto as demandas do setor. Um dos pontos centrais é a manutenção de um canal permanente de diálogo enquanto a medida provisória sobre o piso do frete tramita no Congresso Nacional.
Representando os caminhoneiros, o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos da Baixada Santista e Vale do Ribeira, Luciano Santos, reforçou que a mobilização agora se volta ao Legislativo. Segundo ele, a categoria pretende pressionar parlamentares para garantir avanços e evitar retrocessos nas propostas em discussão, sinalizando que a pauta seguirá em evidência nos próximos meses.
