O prefeito de Goiana, Marcílio Régio, tem adotado uma postura de fidelidade política desde o início da sua gestão, especialmente em relação ao ex-prefeito Eduardo Honório, principal fiador de sua eleição.
Na prática, essa lealdade tem se refletido na composição administrativa. Integrantes ligados a Honório ocupam espaços estratégicos no governo, desde o primeiro escalão até funções operacionais, incluindo nomes do núcleo familiar do ex-prefeito.
A decisão de preservar esses espaços é vista por aliados como o cumprimento de um acordo político firmado ainda no período eleitoral. Apesar disso, o cenário interno da gestão começa a apresentar sinais de desgaste.
Relatos de bastidores indicam que parte significativa dos indicados — com poucas exceções — vinculados ao grupo de Honório não tem correspondido às expectativas em termos de desempenho no governo. Há queixas recorrentes sobre baixa entrega em algumas pastas, dificuldades de gestão e ausência de resultados mais consistentes em áreas consideradas prioritárias.
Mesmo diante desse quadro, Marcílio tem optado por manter a estrutura herdada, evitando mudanças bruscas e preservando a aliança política. Paralelamente, no entanto, o prefeito tem buscado imprimir um ritmo próprio à gestão. Nos últimos meses, a gestão deu início a um movimento de retomada de obras que estavam paralisadas desde o governo anterior, além de avançar em novas ações, o que tem sido interpretado por aliados como um sinal de “virada de chave” no governo. Esse movimento reforça a tentativa de Marcílio de consolidar uma marca própria, mesmo mantendo os compromissos políticos firmados.
Por outro lado, fontes ouvidas sob reserva apontam que o ex-prefeito Eduardo Honório tem adotado uma postura mais crítica em relação à atual gestão em conversas de bastidores com aliados. As avaliações negativas, segundo esses relatos, vêm sendo feitas em ambientes políticos e fora do núcleo direto da Prefeitura, o que tem chamado atenção de interlocutores.
O contraste entre as posturas evidencia um ponto sensível na relação entre os dois líderes. Enquanto o prefeito mantém os compromissos assumidos, sustenta politicamente o grupo do antecessor e começa a imprimir um novo ritmo administrativo, cresce a percepção de que essa lealdade não tem sido plenamente correspondida no mesmo nível.
