Um novo estudo do Banco Central Europeu lança luz sobre os efeitos das tarifas comerciais adotadas durante o governo de Donald Trump e desmonta a percepção de que o impacto recai majoritariamente sobre empresas estrangeiras. Segundo o relatório, a maior parte do custo dessas medidas tem sido absorvida dentro dos próprios Estados Unidos, atingindo diretamente empresas e consumidores locais.
De acordo com a análise, apenas cerca de 5% do impacto das tarifas é efetivamente arcado por companhias estrangeiras. O restante se espalha ao longo da cadeia econômica interna, com os consumidores já assumindo aproximadamente um terço desse peso por meio de preços mais altos.
O estudo aponta ainda que essa carga tende a crescer com o tempo. À medida que as empresas americanas atingirem seus limites de absorção dos custos adicionais, a tendência é que repassem uma fatia cada vez maior aos consumidores. No longo prazo, esse percentual pode ultrapassar a metade do impacto total das tarifas, aprofundando o efeito no custo de vida.
Mesmo assim, as empresas também devem continuar sentindo o impacto. A expectativa é de que cerca de 40% dos custos sejam absorvidos por companhias dos Estados Unidos, evidenciando que o setor produtivo também enfrenta pressão significativa.
Embora o foco recaia sobre a economia americana, o relatório destaca que os efeitos não se limitam às fronteiras do país. Exportadores europeus também sofrem consequências, ainda que em menor escala. Um aumento de 10% nas tarifas, por exemplo, pode provocar uma retração de 4,3% no volume de importações nas categorias afetadas, indicando um impacto direto no comércio internacional.
O levantamento reforça o debate sobre as políticas protecionistas e seus efeitos colaterais, mostrando que, ao contrário do discurso de proteção econômica, as tarifas podem acabar pesando mais para quem as impõe.
