Irã prende advogada premiada e amplia ofensiva contra ativistas
A prisão da advogada iraniana Nasrin Sotoudeh voltou a acender o alerta sobre o endurecimento do regime do Irã contra vozes críticas. Reconhecida internacionalmente por sua atuação em defesa dos direitos humanos, ela foi detida na noite de quarta-feira, segundo relato de sua filha, em meio a uma onda de repressão que, de acordo com ativistas, tem se intensificado durante o conflito envolvendo Israel e os Estados Unidos.
A informação foi divulgada por Mehraveh Khandan, filha da advogada, em uma publicação nas redes sociais. Segundo ela, a mãe estava sozinha em casa quando foi levada pelas autoridades. Familiares que chegaram ao local depois da prisão encontraram a residência revirada e relataram que computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos foram apreendidos.
Nasrin Sotoudeh é uma das figuras mais conhecidas da defesa dos direitos civis no Irã. Ao longo dos anos, ela ganhou notoriedade por atuar em casos envolvendo mulheres, presos políticos e jovens condenados à morte por crimes cometidos ainda na adolescência. Sua trajetória lhe rendeu reconhecimento internacional, como o Prêmio Sakharov, concedido pelo Parlamento Europeu em 2012, e o Right Livelihood Award, recebido em 2020.
A prisão ocorre poucos meses após a detenção de seu marido, Reza Khandan, conhecido ativista de direitos humanos e designer gráfico, que está preso desde dezembro de 2024. A família afirma que, desde a nova prisão, não conseguiu mais contato com a advogada e que ainda não se sabe qual órgão de segurança conduziu a operação.
Organizações internacionais veem o caso como parte de uma escalada repressiva. A entidade Iran Human Rights, sediada na Noruega, afirmou recentemente que pelo menos duas mil pessoas teriam sido detidas desde o início do conflito regional. Entre elas, dezenas de defensores de direitos humanos e ativistas políticos.
Outra voz importante da oposição iraniana, Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, também permanece presa desde dezembro. Seus apoiadores alertaram nesta semana que o estado de saúde da ativista é grave e que sua vida estaria em risco, reforçando a preocupação internacional com a situação dos direitos humanos no país.
