O advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, ganhou destaque após divulgar em seu site profissional números considerados incomuns para o início da carreira na advocacia. Segundo a página, ele teria conquistado mais de 500 clientes e atuado em mais de mil processos logo em seu primeiro ano de atuação, iniciado após aprovação na OAB em 2024.
As informações estavam disponíveis em uma versão do site que foi posteriormente retirada do ar, mas ainda pode ser acessada por meio de arquivos digitais. Em nota, a assessoria do advogado afirmou que o conteúdo publicado se tratava de uma versão preliminar divulgada por engano e que um novo site será lançado futuramente. Apesar disso, os números apresentados não foram desmentidos.
Filho do ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, Kevin abriu seu escritório em agosto de 2024 e afirma atuar na área de Direito Tributário. Entre seus clientes estaria a empresa Consult Inteligência Tributária, que, conforme registros, realizou pagamentos que somam R$ 281,6 mil ao advogado entre 2024 e 2025, divididos em 11 parcelas por serviços relacionados ao chamado “fisco administrativo”.
Essas movimentações aparecem em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que analisou operações consideradas atípicas envolvendo o Banco Master. De acordo com o documento, a consultoria recebeu, no mesmo período, milhões em repasses de instituições como o Banco Master e a JBS. A defesa de Kevin Marques sustenta que ele não recebeu valores diretamente dessas empresas e que sua relação com elas ocorreu de forma indireta, por meio da prestação de serviços à consultoria.
O contexto dos repasses coincidiu com um momento em que o ministro Kassio Nunes Marques era relator, no STF, de uma disputa envolvendo a controladora da JBS e a empresa estrangeira Paper Excellence, relacionada ao controle da Eldorado Celulose. O caso foi encerrado em 2025 após acordo entre as partes, sem julgamento de mérito.
A JBS, por sua vez, afirmou que contrata consultorias especializadas devido à complexidade do sistema tributário brasileiro. Já Kevin Marques atua em processos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, onde figura como advogado em ações de acesso público, sem atuação no STF.
O escritório do advogado funciona em um imóvel no Lago Sul, área nobre de Brasília, compartilhado com outros membros da família. Segundo a assessoria, a divisão do endereço faz parte de uma estratégia empresarial, embora cada profissional atue de forma independente.
Em meio à repercussão, a defesa de Kevin sustenta que a divulgação das informações busca questionar indevidamente o exercício da advocacia e atingir indiretamente a atuação de seu pai na Suprema Corte.
