Documentos do Imposto de Renda do Banco Master enviados à CPI do Crime Organizado, no Senado, revelaram repasses milionários a empresas e escritórios ligados a figuras influentes da política brasileira. Entre 2023 e 2025, os pagamentos somam R$ 65 milhões e envolvem nomes como o ex-presidente Michel Temer, além de ex-ministros e dirigentes partidários.
De acordo com os registros, o escritório de Temer recebeu R$ 10 milhões no período. Em nota, o ex-presidente confirmou a prestação de serviços ao banco, mas afirmou que o valor total do contrato foi de R$ 7,5 milhões, relacionados a uma atuação jurídica de mediação.
Também aparecem na lista empresas ligadas aos ex-ministros da Fazenda Henrique Meirelles e Guido Mantega. A empresa de Meirelles teria recebido R$ 18,5 milhões, enquanto a de Mantega soma R$ 14 milhões em repasses. Ambos confirmaram vínculos contratuais com a instituição, destacando que os serviços prestados foram de consultoria econômica e financeira. Mantega afirmou ainda que não tinha conhecimento de eventuais irregularidades envolvendo o banco no momento em que firmou o contrato.
Outro nome citado é o do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, cuja empresa de consultoria recebeu R$ 5,4 milhões. Em posicionamento público, ele declarou que os serviços foram lícitos e realizados quando nenhum dos sócios ocupava cargo público, além de ter solicitado apuração sobre o vazamento de dados fiscais.
Os documentos também apontam o pagamento de R$ 6,1 milhões a um escritório vinculado a familiares do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Segundo sua equipe, após deixar a Corte em 2023, ele retornou à advocacia e prestou consultoria jurídica ao banco.
Há ainda o registro de R$ 6,4 milhões pagos ao escritório de Antonio Rueda, atual dirigente nacional do União Brasil. A defesa afirmou que não confirma informações baseadas em dados fiscais vazados, mas garantiu que todos os serviços realizados foram legais e devidamente documentados, incluindo pareceres técnicos, reuniões e atuações em processos judiciais.
O caso agora integra as investigações da CPI no Senado, que busca esclarecer a natureza dos contratos e possíveis conexões com atividades ilícitas, em um cenário que amplia a repercussão política em torno das relações entre instituições financeiras e figuras públicas de destaque no país.
