Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que a empresa do jornalista Leo Dias recebeu ao menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master entre 2024 e 2025. Os dados, obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, indicam que os valores fazem parte de uma movimentação financeira mais ampla envolvendo o conglomerado liderado por Daniel Vorcaro.
De acordo com o documento, foram identificados seis pagamentos feitos à Leo Dias Comunicação e Jornalismo entre fevereiro de 2024 e maio de 2025. Além disso, a empresa também recebeu outros R$ 2 milhões de uma companhia que tinha no Banco Master sua principal fonte de recursos. No período analisado, o faturamento total da empresa chegou a R$ 34,9 milhões, sendo cerca de 28% desse montante vinculado diretamente ao banco.
Em nota, Leo Dias afirmou que os valores são decorrentes de um contrato publicitário firmado com o Will Bank, instituição que integrava o grupo financeiro e que posteriormente foi liquidada pelo Banco Central. Segundo o jornalista, a relação comercial se limitou à veiculação de publicidade entre outubro de 2024 e outubro de 2025, sem envolvimento em outros tipos de investimento ou participação societária.
O relatório do Coaf também aponta indícios considerados atípicos nas movimentações financeiras da empresa. Entre eles, pagamentos a terceiros sem justificativa aparente, fluxo elevado de entradas e saídas e operações em que os valores recebidos eram rapidamente retirados das contas. No total, as saídas registradas chegaram a R$ 35,7 milhões no período.
Outro ponto destacado envolve a empresa LD Produções, que repassou cerca de R$ 2 milhões à Leo Dias Comunicação. Apesar da coincidência no nome, a empresa pertence ao empresário Flávio Carneiro, que tem histórico de proximidade com Vorcaro e já foi sócio de Fabiano Zettel em negócios anteriores. Segundo os dados, 90% dos recursos recebidos por essa empresa também tiveram origem no Banco Master.
Os registros indicam ainda que a empresa de Leo Dias realizou pagamentos de aproximadamente R$ 2,6 milhões à Foone Serviços Internet, companhia que já teve como sócios Carneiro e Zettel. A empresa atuava no fornecimento de soluções tecnológicas para portais de jornalismo, mas encerrou atividades após mudanças regulatórias relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados.
O caso também envolve mudanças na estrutura societária da empresa do jornalista. Até outubro de 2024, Leo Dias detinha integralmente o controle do negócio, quando transferiu 10% das ações para Thiago Miranda. Posteriormente, a empresa foi transformada em sociedade anônima, o que tornou privadas as informações sobre seus acionistas.
Em posicionamento recente, a assessoria do jornalista afirmou que Thiago Miranda deixou a função de CEO em junho de 2025 e que não possui mais qualquer vínculo com a gestão ou decisões estratégicas da empresa. O Banco Master, por sua vez, não havia se manifestado até a divulgação das informações.
