Goiana amanheceu de luto com a morte de Severino Feliciano da Silva, o Mestre Biloco, aos 82 anos. Considerado um dos maiores nomes da cultura popular do município, ele deixa um legado marcado pela dedicação à ciranda, às bandas marciais e à formação de gerações de jovens músicos.
A Prefeitura de Goiana, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, manifestou pesar pela perda do artista, que foi viúvo e pai de sete filhos. Mestre Biloco iniciou sua trajetória ainda na infância, entre os 12 e 13 anos, quando, encantado com as bandas marciais, passou a acompanhar os desfiles pelas ruas da cidade. Foi nesse período que deu os primeiros passos na música, aprendendo a tocar corneta de forma autodidata.
Ao longo das décadas, construiu uma carreira sólida e respeitada. Em 1964, tornou-se instrutor da banda do Círculo Operário da Rua Nova e, anos depois, assumiu a direção da banda do Grupo Escolar Diogo Dias, ajudando a formar uma das mais reconhecidas bandas escolares da região. Também esteve à frente da Banda Marcial de Goiana, que chegou a reunir mais de 130 integrantes e se destacou em apresentações e competições.
Na cultura popular, seu nome ganhou ainda mais força com a fundação da Ciranda dos Cangaceiros, em 1971. Reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Mestre Biloco preservava elementos tradicionais raros, como o uso do apito para conduzir a ciranda e o canto responsorial, mantendo viva uma das expressões mais autênticas da cultura pernambucana.
Além da ciranda, também atuava em outros folguedos, como a aruenda, e mantinha grupos ligados ao frevo e às festividades juninas, sendo presença constante nos ciclos culturais de Goiana.
Em nota, o prefeito Marcílio Régio destacou a importância do mestre para a identidade local. “Goiana se despede de um dos seus maiores símbolos da cultura popular. Mestre Biloco deixa um legado imenso de arte, tradição e identidade para nosso povo. Sua ciranda e sua banda seguirão vivas em cada roda, em cada desfile, em cada coração goianense”, afirmou.
A morte de Mestre Biloco representa uma perda profunda para a cultura pernambucana. Sua trajetória permanece como símbolo de resistência cultural, educação e paixão pela arte, marcando de forma definitiva a história de Goiana e de todo o estado.
