O governo de Israel e o comando de suas Forças de Defesa (FDI) reagiram com rapidez e contundência nesta segunda-feira após a circulação de um vídeo que gerou indignação internacional e profunda crise diplomática com o mundo cristão. Nas imagens, cuja autenticidade já foi confirmada pelas autoridades militares, um soldado israelense utiliza uma marreta para golpear repetidamente a cabeça de uma estátua de Jesus Cristo crucificado em uma localidade no sul do Líbano. O impacto faz com que a peça se desprenda da cruz e caia ao chão, em um ato que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou como “repugnante” e “chocante”.
O incidente ocorreu na vila cristã de Debel, situada em uma região estratégica próxima à fronteira, onde as tropas israelenses operam em meio à invasão do sul libanês iniciada em março. Através de sua conta na rede social X, Netanyahu afirmou estar entristecido com o ataque a um símbolo religioso católico e garantiu que uma investigação criminal já foi instaurada para aplicar medidas disciplinares rigorosas. A conduta foi classificada pelo Exército como de “gravidade extrema”, sendo considerada totalmente incompatível com os valores éticos e os protocolos de conduta esperados de seus soldados em campo de batalha.
Além do chefe de governo, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, também se manifestou publicamente para classificar a ação como “vergonhosa e desonrosa”. Em um gesto de contenção de danos, o chanceler pediu desculpas formais a todos os cristãos que tiveram seus sentimentos feridos pelo episódio. O comando militar, por sua vez, informou que está em contato com lideranças locais para providenciar a restauração e a devolução do monumento ao seu lugar de origem, na tentativa de mitigar o impacto do gesto simbólico negativo em uma região já devastada pelo conflito.
O episódio surge em um momento delicado da guerra no Oriente Médio, que se expandiu para o Líbano após o Hezbollah iniciar lançamentos de foguetes em apoio ao Irã. Desde então, Israel respondeu com uma ofensiva de larga escala que transformou o sul do país vizinho em um cenário de intensos combates. Embora a prefeitura de Debel ainda não tenha detalhado a extensão total dos danos físicos na praça onde a estátua ficava, o estrago político e institucional já é sentido em Tel Aviv, que agora corre contra o tempo para demonstrar que o ato de vandalismo religioso foi um caso isolado e que não reflete a política oficial de suas forças armadas durante a ocupação.
