O Brasil despediu-se na última sexta-feira, 17 de abril, de um de seus maiores ícones esportivos, mas os bastidores de seus momentos finais revelam uma batalha tão intensa quanto as que travou nas quadras. Oscar Schmidt, o eterno “Mão Santa”, faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória após enfrentar um novo e agressivo capítulo em sua longa jornada contra o câncer. Em um depoimento emocionante concedido ao programa Fantástico, seu filho, Felipe Schmidt, trouxe a público que a família descobriu uma nova massa tumoral de grau 4 ainda no ano passado. Mesmo após anos de tratamentos severos, o ídolo não hesitou em se submeter a uma terceira cirurgia cerebral, mantendo a postura resiliente que o tornou uma lenda mundial.
Esta última intervenção cirúrgica, no entanto, trouxe desafios físicos sem precedentes. Diferente dos procedimentos anteriores, a operação foi realizada no lado oposto do cérebro, o que dificultou a capacidade de recuperação do órgão e deixou sequelas profundas no ex-jogador. Felipe relatou que, embora o pai não tenha voltado a ser o mesmo após a cirurgia, sua presença de espírito e o esforço para permanecer lúcido eram nítidos para todos ao seu redor. Oscar lutou até o limite de suas forças contra o que o filho descreveu como uma “doença infeliz”, tentando superar o desgaste de um diagnóstico que o acompanhava desde 2011.
A despedida do craque ocorreu de forma reservada, uma escolha cuidadosa da família para preservar a integridade emocional de sua esposa, Maria Cristina. De acordo com Felipe, a piora no estado de saúde de Oscar foi drástica, o que gerou um impacto imenso para sua companheira de vida. Diante desse cenário, os familiares decidiram evitar a exposição pública de um velório aberto, priorizando a intimidade e o conforto em um momento de dor extrema. O silêncio da cerimônia particular honra a trajetória do maior pontuador da história do basquete, focando no homem que, mesmo debilitado, nunca deixou de lutar.
