Uma sessão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, realizada no último dia 14 de abril, acabou ultrapassando os limites do debate jurídico e mergulhou em um embate de forte tom pessoal. Durante a discussão, o ministro Gilmar Mendes fez duras críticas a personagens centrais da política e do Judiciário brasileiro, resgatando inclusive episódios polêmicos envolvendo o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.
A reação do magistrado ocorreu após ter seu nome incluído em um pedido de indiciamento apresentado pelo senador Alessandro Vieira, no âmbito da CPI do Crime Organizado. Visivelmente incomodado, Gilmar Mendes classificou o momento atual como um cenário com traços do chamado “lavajatismo”, fazendo referências diretas a figuras como Sergio Moro e Deltan Dallagnol, além de direcionar críticas contundentes a Janot.
Ao mencionar o ex-chefe da Procuradoria-Geral da República, Gilmar utilizou termos duros, relembrando episódios do passado e questionando sua atuação à frente do Ministério Público durante um dos períodos mais intensos da Operação Lava Jato. A fala trouxe de volta ao debate público uma relação marcada por conflitos e trocas de acusações entre os dois.
A menção a Janot também reacende um episódio revelado em 2019, quando o próprio ex-procurador afirmou, em entrevista e posteriormente em livro, que chegou a cogitar atirar contra o ministro do STF. Segundo ele, o momento de tensão teria ocorrido em 2017, auge dos embates entre ambos, mas a ação não foi concretizada. À época, a declaração gerou forte repercussão nacional e levou Gilmar Mendes a reagir publicamente, sugerindo que o ex-procurador buscasse ajuda psiquiátrica.
O novo capítulo desse confronto evidencia como antigas disputas ainda ecoam nos bastidores das instituições brasileiras. Em meio a investigações, relatórios parlamentares e embates políticos, o episódio expõe não apenas divergências jurídicas, mas também tensões pessoais que continuam a influenciar o cenário político e institucional do país.
