Celebrado nesta quinta-feira, 23 de abril, o Dia Mundial do Livro reforça não apenas a importância da leitura, mas também o valor do acesso democrático à cultura. No Brasil, milhares de obras já estão em domínio público, permitindo que leitores baixem gratuitamente títulos de autores consagrados que seguem conquistando novas gerações.
Pela legislação brasileira, livros entram em domínio público após 70 anos da morte de seus autores. Isso abriu caminho para que nomes como Machado de Assis, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos e Mário de Andrade tenham suas obras amplamente distribuídas sem custo. Desde 2004, o Ministério da Educação mantém uma plataforma digital que disponibiliza gratuitamente títulos de autores nacionais e estrangeiros, consolidando-se como uma das principais portas de entrada para a literatura clássica.
Os números impressionam e revelam preferências que atravessam séculos. No topo da lista de downloads, com cerca de 1,7 milhão de acessos, está “A Divina Comédia”, do italiano Dante Alighieri, obra que segue despertando fascínio por sua narrativa sobre o inferno, o purgatório e o paraíso. Logo atrás, aparecem os “Poemas”, de Fernando Pessoa, que somam cerca de 650 mil downloads, evidenciando a força da poesia em língua portuguesa.
Entre os brasileiros, “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, permanece como um dos títulos mais procurados, acumulando mais de 460 mil downloads. A lista também destaca a presença marcante da literatura infantil, com obras de autores como Lenira Almeida Heck, José Leon Machado e Abel Sidney, mostrando que o interesse pela leitura começa cedo e se mantém ao longo da vida.
Clássicos internacionais também figuram entre os mais baixados, como “Romeu e Julieta” e “A Comédia dos Erros”, do dramaturgo britânico William Shakespeare, além de “Mensagem”, outra obra de destaque de Fernando Pessoa. Contos como “A Cartomante”, novamente de Machado de Assis, completam a lista, reforçando a relevância contínua da literatura brasileira.
O acesso facilitado a essas obras demonstra como a tecnologia tem ampliado o alcance da leitura, permitindo que clássicos permaneçam vivos e acessíveis. Em tempos digitais, histórias escritas há séculos continuam a emocionar, provocar reflexões e conquistar novos leitores — uma prova de que a literatura, quando livre, não conhece limites de tempo nem de espaço.
