O dia 23 de abril marca os 380 anos de um dos episódios mais emblemáticos da resistência no Brasil colonial: a Batalha de Tejucupapo. Travado no atual distrito de Tejucupapo, em Goiana, o confronto simboliza a força de uma comunidade que, diante da ameaça estrangeira, se uniu para defender seu território, protagonizando uma vitória histórica liderada, em grande parte, por mulheres.
O embate ocorreu em meio à Insurreição Pernambucana, período marcado pela reação luso-brasileira contra o domínio holandês no Nordeste. Em 1646, com Recife enfrentando escassez de alimentos, tropas comandadas pelo almirante Johan Lichtart avançaram em direção a Tejucupapo na tentativa de garantir suprimentos. No entanto, o plano foi frustrado por uma população já alertada sobre a invasão e preparada para resistir.
Mesmo com recursos limitados, moradores ergueram trincheiras e organizaram a defesa. A liderança feminina se destacou com nomes como Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina, que, ao lado dos demais habitantes, enfrentaram cerca de 600 soldados holandeses. Utilizando estratégias improvisadas — como água fervente com pimenta e ferramentas do cotidiano —, conseguiram repelir sucessivas investidas inimigas, impondo uma derrota marcante às forças invasoras.
O confronto, que deixou centenas de mortos e consolidou a retirada dos invasores, entrou para a história como símbolo de coragem e resistência popular. No local, um obelisco foi erguido em homenagem às mulheres que lutaram bravamente, eternizando o reconhecimento de seu papel decisivo na defesa da comunidade.
Três séculos e oito décadas depois, a memória desse feito continua viva em Tejucupapo. A tradicional encenação teatral da batalha, realizada todos os anos no último domingo de abril, já se tornou um dos principais marcos culturais do distrito. Em 2026, o espetáculo será apresentado nos dias 24 e 26 de abril, sempre às 14h, na Fazenda Megaó, localizada no distrito de Tejucupapo, em Goiana. A exibição da sexta-feira (24) será voltada para estudantes das redes municipal e estadual de ensino, enquanto no domingo (26) o evento estará aberto ao público em geral.
Criada em 1993 por Dona Luzia Maria da Silva, a encenação transformou o episódio histórico em um espetáculo a céu aberto, consolidando-se como referência da cultura popular pernambucana e patrimônio vivo da memória local, mantendo acesa a história das mulheres que transformaram um pequeno povoado em símbolo de heroísmo.
