A preservação de um dos biomas mais emblemáticos do país esteve no centro das discussões no Senado Federal na última terça-feira (28). Sob a condução da senadora Teresa Leitão, a Comissão de Educação e Cultura e a Comissão de Meio Ambiente promoveram uma audiência pública conjunta para tratar da conservação e do uso sustentável da Caatinga, com ênfase no papel da educação ambiental e no enfrentamento das mudanças climáticas no ambiente escolar.
O encontro integrou as ações do Dia Nacional da Caatinga e reuniu especialistas, gestores públicos e representantes de instituições ligadas ao semiárido. Entre os participantes, esteve o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que destacou iniciativas estratégicas voltadas à proteção do bioma e ao combate à desertificação.
Exclusivamente brasileiro, o bioma Caatinga ocupa cerca de 11% do território nacional e se concentra majoritariamente na região Nordeste. Marcada por longos períodos de estiagem, a região abriga uma biodiversidade única, com espécies adaptadas às condições climáticas extremas. Além de sua importância ecológica, a Caatinga exerce papel fundamental na regulação do clima, na conservação do solo e na sustentação de comunidades tradicionais que dependem diretamente de seus recursos.
Durante a audiência, Teresa Leitão ressaltou a necessidade de ampliar o debate sobre a sustentabilidade socioambiental dentro das escolas, defendendo que a educação é ferramenta essencial para formar uma consciência coletiva voltada à preservação. A senadora destacou ainda as características singulares do bioma, que desenvolveu mecanismos próprios para resistir à escassez de água, reforçando sua relevância ambiental e científica.
Ao apresentar ações do governo federal, Capobianco chamou atenção para o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação, que reúne 175 iniciativas planejadas para as próximas duas décadas. Segundo ele, trata-se de um esforço estruturado com base científica e participação social, que busca enfrentar os desafios ambientais do semiárido de forma integrada. O ministro também mencionou a retomada da Comissão Nacional de Combate à Desertificação, responsável por articular políticas públicas entre União, estados e municípios, além de parcerias com instituições como a Sudene e universidades da região.
A audiência contou ainda com contribuições de pesquisadores e representantes de organizações que atuam diretamente no semiárido, ampliando o debate sobre soluções práticas para preservar o bioma e garantir qualidade de vida à população local. O encontro reforçou a urgência de integrar políticas ambientais e educacionais, especialmente em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas.
