A troca de acusações entre o apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, e a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) ganhou um novo capítulo nos tribunais. O comunicador ingressou com uma ação na Justiça para que a parlamentar esclareça uma declaração feita contra ele nas redes sociais. O caso tramita na 7ª Vara Criminal de Brasília e foi protocolado no fim de março.
O embate teve início após críticas feitas por Ratinho durante seu programa, quando questionou a escolha de Erika Hilton, uma mulher trans, para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Na ocasião, o apresentador fez comentários sobre o que, segundo ele, definiria uma mulher, gerando forte repercussão.
A fala provocou reação imediata da deputada, que acusou o apresentador de transfobia e adotou medidas judiciais contra ele. Além de acionar a esfera criminal, Hilton também entrou com um pedido de indenização por danos morais no valor de R$ 10 milhões e solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão do programa comandado por Ratinho.
Agora, o apresentador responde com uma interpelação judicial, instrumento previsto no artigo 144 do Código Penal, que permite a quem se considera ofendido solicitar explicações formais antes de eventual processo. Na ação, Ratinho questiona especificamente uma publicação da parlamentar em que ela o chamou de “rato”, afirmando: “Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato”.
A interpelação não tem caráter punitivo imediato, mas busca esclarecer se houve intenção de ofensa que possa configurar crimes como injúria ou difamação. Caso as explicações não sejam apresentadas ou consideradas insuficientes pela Justiça, o caso pode evoluir para uma ação penal.
Até o momento, a assessoria de Erika Hilton não se manifestou sobre a nova iniciativa judicial. O episódio reforça o clima de tensão entre figuras públicas em debates sobre identidade de gênero e liberdade de expressão, agora ampliado para o campo jurídico.
