O chefe de gabinete da Argentina, Manuel Adorni, esteve no centro de um intenso embate político nesta quarta-feira (29) ao comparecer ao Congresso para prestar contas de sua gestão em meio a crescentes suspeitas envolvendo seu patrimônio. Diante dos parlamentares, ele rejeitou qualquer acusação de ilegalidade e afirmou que pretende comprovar sua inocência na Justiça.
A sessão foi marcada por um cenário incomum: o próprio presidente Javier Milei acompanhou o pronunciamento diretamente das galerias, acompanhado por integrantes do governo, em um gesto claro de apoio ao aliado. A presença do chefe do Executivo reforçou o tom político da audiência, que rapidamente deixou de ser apenas protocolar para se transformar em uma sequência de questionamentos incisivos.
Adorni tem sido alvo de investigações que envolvem a aquisição de imóveis em circunstâncias consideradas suspeitas, além de gastos pessoais elevados, como viagens familiares luxuosas, que não condizem com sua renda oficial desde que assumiu o cargo no fim de 2023. Apesar disso, ele classificou todas as denúncias como infundadas e motivadas por interesses políticos.
O clima no plenário foi de forte cobrança. Parlamentares apresentaram milhares de perguntas, pressionando o chefe de gabinete a explicar inconsistências entre seus rendimentos e despesas. A deputada Myriam Bregman foi uma das vozes mais críticas, questionando diretamente a origem dos recursos utilizados em operações financeiras.
Mesmo sob pressão, Adorni reafirmou o compromisso do governo com o ajuste fiscal e destacou medidas já adotadas, como a redução da estrutura estatal e cortes significativos de gastos. Segundo ele, a política econômica baseada na austeridade seguirá como prioridade.
Do lado de fora do Congresso, manifestantes voltaram a protestar contra o governo, com destaque para aposentados que reivindicam melhores condições diante da crise econômica. O cenário se agrava com indicadores recentes que apontam queda na atividade econômica e redução da confiança popular, ampliando os desafios enfrentados pela gestão de Milei.
