Em uma decisão histórica, o Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Com 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis, o nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva não alcançou a maioria absoluta necessária — 41 votos — e se tornou o primeiro indicado a uma vaga na Corte a ser barrado pelo plenário.
A votação, realizada de forma secreta após a sabatina, expôs fragilidades na articulação política do governo e marcou um revés significativo para o Palácio do Planalto. A cadeira no STF estava vaga desde a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025, e a escolha de Messias já enfrentava resistência antes mesmo de ser formalizada.
Nos bastidores, o clima era de incerteza. O governo trabalhava com uma base consolidada de cerca de 25 votos, enquanto ao menos 35 senadores já se posicionavam contra a indicação. Um grupo de indecisos acabou sendo decisivo para o desfecho negativo. A demora de mais de cinco meses entre o anúncio e o envio oficial do nome ao Senado também contribuiu para o desgaste político, em um cenário de intensas negociações e pressões da oposição.
A indicação de Messias ainda gerou atritos com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que preferia outro nome para a vaga, o que agravou o ambiente de tensão. Mesmo após ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com 16 votos favoráveis — acima dos 14 necessários —, o ministro não conseguiu reverter a resistência no plenário.
O contraste com outras indicações recentes evidencia o tamanho da derrota. Flávio Dino e André Mendonça, embora tenham enfrentado votações apertadas, conseguiram aprovação com margens mínimas de seis votos. Já Cristiano Zanin, indicado também por Lula, teve uma tramitação mais tranquila, com ampla maioria favorável.
Historicamente, as indicações ao STF costumam ser aprovadas pelo Senado, ainda que sob questionamentos e longas sabatinas. Nomes como Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luiz Fux passaram pelo crivo da Casa com folga, consolidando uma tradição de deferência institucional que, desta vez, foi rompida.
A rejeição de Jorge Messias ocorre em um momento sensível, a poucos meses do calendário eleitoral, e pode ter impactos diretos na relação entre o Executivo e o Legislativo. O episódio também abre um novo capítulo na dinâmica política em torno das indicações ao Supremo, reforçando o peso do Senado como instância decisiva nesse processo.
