O governo federal deu início a uma ofensiva nacional para mudar a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros ao lançar, no último domingo (3), uma campanha pelo fim da escala 6×1 — modelo em que se trabalha seis dias para descansar apenas um. A proposta, que já chegou ao Congresso Nacional, prevê a redução da jornada semanal sem qualquer diminuição salarial, com o objetivo de ampliar o tempo livre da população.
A iniciativa pode impactar diretamente cerca de 37 milhões de trabalhadores e, segundo o governo, vai além de uma simples mudança na carga horária. A ideia é promover um novo equilíbrio entre vida profissional e pessoal, garantindo mais tempo para convivência familiar, lazer e descanso. Com o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”, a campanha será veiculada em diferentes plataformas, incluindo televisão, rádio, internet e até na imprensa internacional.
O projeto estabelece um limite de 40 horas semanais de trabalho, mantendo as oito horas diárias. Na prática, isso assegura dois dias consecutivos de descanso por semana, preferencialmente aos sábados e domingos. O modelo, no entanto, poderá ser adaptado por meio de negociações coletivas, respeitando as especificidades de cada setor.
A proposta já foi formalizada por meio de um projeto de lei enviado ao Congresso no mês passado, com tramitação em regime de urgência. O texto altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e proíbe expressamente qualquer redução de salário com a mudança. Caso aprovado, o novo modelo substituirá a tradicional escala 6×1 em todo o país.
Além do projeto de lei, o tema também está sendo discutido em uma comissão especial criada na Câmara dos Deputados para analisar propostas de emenda à Constituição que tratam da redução da jornada de trabalho. Entre elas, estão iniciativas que vão ainda mais longe, sugerindo jornadas semanais de até 36 horas ou modelos com apenas quatro dias de trabalho.
Composta por 38 parlamentares titulares, a comissão terá um prazo limitado para apresentar seu parecer, em meio a um debate que promete mobilizar diferentes setores da sociedade. Para o governo, a mudança acompanha transformações recentes na economia, como o avanço tecnológico e os ganhos de produtividade, e pode trazer efeitos positivos, como a redução de afastamentos, melhora no desempenho dos trabalhadores e menor rotatividade.
Enquanto o tema avança no Legislativo, a campanha aposta na conscientização como ferramenta para impulsionar o debate público, defendendo que valorizar o tempo fora do trabalho é também uma forma de fortalecer a própria sociedade.
