A crescente entrada de tilápia importada do Vietnã no mercado brasileiro dominou os debates realizados na quinta-feira (7), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), durante uma audiência pública que reuniu produtores, empresários, especialistas e representantes do setor aquícola. O encontro, promovido pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, expôs preocupações que vão desde os impactos econômicos até possíveis riscos sanitários ligados ao pescado estrangeiro.
O tema ganhou força diante do avanço das importações em 2026. Somente nos primeiros meses deste ano, o Brasil recebeu cerca de 1,6 mil toneladas de tilápia vietnamita, volume que já supera, em alguns períodos, as exportações nacionais do produto. A chegada do pescado com preços mais baixos tem provocado apreensão entre produtores pernambucanos, que temem perdas financeiras e desequilíbrio no mercado interno.
Representantes da cadeia produtiva defenderam que a concorrência ocorre em condições desiguais. Segundo Romero Magalhães, representante dos produtores de tilápia, o setor vive um momento de expansão e já supera atividades tradicionais em diversas regiões do país, como a criação de ovinos e caprinos. Para ele, a entrada do produto estrangeiro ameaça diretamente milhares de trabalhadores e empreendimentos ligados à piscicultura.
A preocupação também envolve o controle sanitário. Geraldo Consentino, representante das indústrias do setor, destacou que os produtores brasileiros seguem protocolos rígidos de qualidade e certificação para garantir segurança alimentar ao consumidor. O receio é que diferenças nos sistemas de fiscalização entre os países possam abrir espaço para doenças ainda inexistentes no Brasil, como o vírus da tilápia (TiLV), considerado uma ameaça à produção aquícola.
Pernambuco ocupa atualmente posição de destaque na piscicultura nacional. O estado lidera a produção de tilápia no Nordeste, com cerca de 31,7 mil toneladas produzidas por ano e movimentação econômica estimada em R$ 415 milhões. A atividade tem peso importante na geração de emprego e renda, especialmente no interior.
Durante a audiência, o presidente da Comissão de Agricultura da Alepe, deputado Luciano Duque (Podemos), afirmou que a importação do pescado acendeu um alerta não apenas econômico, mas também sanitário. Já a deputada estadual Débora Almeida (PSD), autora do requerimento que motivou o debate, defendeu maior integração entre o poder público e os setores produtivos para proteger a atividade local e garantir segurança ao consumidor.
O presidente da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco, Moshe Dayan, reforçou que o estado pretende intensificar ações de fiscalização e discutir medidas mais rígidas para o transporte e comercialização da tilápia importada. Segundo ele, o objetivo é evitar riscos à produção pernambucana e preservar a sustentabilidade do setor.
O encontro terminou com o compromisso de ampliar o diálogo entre produtores, autoridades e órgãos de fiscalização na busca por medidas que fortaleçam a piscicultura local diante do avanço das importações internacionais.
