O governo de Taiwan recebeu com honras de chefe de Estado, nesta sexta-feira (8), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, em uma visita marcada por declarações de apoio político, acordos estratégicos e críticas às pressões exercidas pela China contra a ilha asiática.
A chegada de Peña a Taipei ocorre em um momento delicado para Taiwan, que enfrenta crescente isolamento diplomático impulsionado pelo governo chinês. Atualmente, a ilha mantém relações oficiais com apenas 12 países no mundo, sendo o Paraguai o único aliado diplomático sul-americano de Taipei.
Durante a visita oficial, o Ministério das Relações Exteriores da China voltou a pressionar Assunção para romper relações com Taiwan e reconhecer o princípio de “uma só China”, política defendida por Pequim para afirmar que a ilha faz parte do território chinês.
Apesar da pressão internacional, Santiago Peña reafirmou o compromisso paraguaio com Taiwan e classificou o país asiático como um parceiro estratégico fundamental. O presidente paraguaio lidera uma delegação composta por autoridades e empresários em uma agenda de quatro dias voltada ao fortalecimento da cooperação bilateral.
O presidente taiwanês, Lai Ching-te, recebeu Peña com cerimônia militar, tapete vermelho e salva de canhões antes de um encontro reservado entre os líderes. Durante o evento, Lai agradeceu ao Paraguai pelo apoio histórico à presença internacional de Taiwan e destacou que os dois países compartilham valores ligados à democracia, liberdade e direitos humanos.
Em resposta, Peña condenou as pressões militares e econômicas exercidas pela China sobre Taiwan e afirmou que Taipei possui o direito soberano de manter relações internacionais sem sofrer tentativas de isolamento diplomático. O presidente paraguaio também criticou as manobras militares chinesas realizadas próximas à ilha.
A visita ocorre em meio ao fortalecimento da cooperação entre os dois governos. Paraguai e Taiwan planejam assinar acordos nas áreas de assistência jurídica, segurança cibernética e investimentos conjuntos em inteligência artificial e infraestrutura de computação.
Enquanto isso, o Parlamento taiwanês aprovou um novo pacote de gastos militares estimado em 25 bilhões de dólares, valor destinado principalmente à aquisição de armamentos dos Estados Unidos, segundo parlamentares da oposição. O montante, no entanto, ficou abaixo do orçamento solicitado pelo governo local.
A agenda internacional de Lai Ching-te também tem sido marcada por dificuldades diplomáticas. Taiwan acusou recentemente a China de pressionar países africanos e insulares a restringirem rotas de sobrevoo durante uma viagem oficial do presidente taiwanês à Essuatíni, único aliado de Taipei no continente africano.
Mesmo diante das pressões de Pequim, o encontro entre Taiwan e Paraguai reforçou a intenção dos dois governos de manter e ampliar uma parceria diplomática iniciada ainda na década de 1950.
