A União Europeia publicou nesta terça-feira (12) uma nova lista de países autorizados a exportar carne para os países do bloco e deixou o Brasil fora da relação. A decisão acendeu um alerta no setor agropecuário brasileiro, já que a Europa é atualmente o terceiro maior destino das exportações nacionais de proteína animal, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
Segundo o bloco europeu, o Brasil não apresentou comprovações suficientes de que atende aos critérios sanitários exigidos pelas normas da União Europeia, especialmente em relação ao uso de antimicrobianos na criação de animais. As autoridades europeias afirmam que querem garantias mais rígidas de que substâncias utilizadas para acelerar crescimento, aumentar produtividade ou medicamentos com potencial risco à saúde humana não estejam sendo empregadas de forma inadequada na pecuária brasileira.
A preocupação da Europa está ligada principalmente ao avanço da resistência bacteriana a antibióticos, considerada um dos grandes desafios globais de saúde pública. O bloco mantém uma política rigorosa contra o uso excessivo desses medicamentos em animais destinados ao consumo humano.
A decisão, porém, também reacendeu críticas de países exportadores e representantes do agronegócio, que acusam a União Europeia de utilizar barreiras sanitárias como forma de protecionismo econômico. Para críticos da medida, as exigências impostas pelo bloco acabam dificultando a entrada de produtos estrangeiros e favorecendo produtores europeus.
O cenário representa uma mudança importante em relação ao ano passado. Na lista divulgada em 2024, o Brasil aparecia entre os países autorizados a exportar carne bovina, frango, peixe, mel e até cavalos para os países europeus.
Agora, para voltar a integrar a lista, o governo brasileiro e o setor pecuário precisarão demonstrar adequação completa às regras sanitárias europeias que passaram a valer desde 2022. O histórico recente mostra que essa não é a primeira vez que exportações brasileiras enfrentam restrições do bloco. Em ocasiões anteriores, produtos nacionais já foram alvo de suspensões temporárias devido a casos envolvendo gripe aviária, salmonela e outras questões sanitárias.
A exclusão ocorre em um momento delicado para o comércio internacional e pode gerar impactos econômicos relevantes para o agronegócio brasileiro, especialmente em segmentos que dependem do mercado europeu para manter contratos e ampliar exportações.
