O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou ao chanceler iraniano Abbas Araghchi que o Brasil está disposto a colaborar com iniciativas diplomáticas voltadas à redução das tensões no Oriente Médio e à reabertura do Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e fertilizantes.
A conversa ocorreu na última quinta-feira (14), durante reunião paralela ao encontro ministerial do BRICS, realizado em Nova Délhi, na Índia. Segundo o Itamaraty, Mauro Vieira reforçou a defesa brasileira por uma solução negociada para o conflito iniciado no fim de fevereiro, que acabou se espalhando para outros países da região.
Durante o encontro, o chanceler brasileiro destacou a importância geopolítica do Estreito de Ormuz para a economia mundial e ressaltou os impactos diretos que eventuais bloqueios podem causar ao Brasil, especialmente no abastecimento de combustíveis e fertilizantes utilizados pelo agronegócio nacional.
O ministro iraniano elogiou a postura adotada pelo governo brasileiro em defesa do direito internacional e atualizou Mauro Vieira sobre as negociações diplomáticas em andamento, conduzidas com mediação do Paquistão, na tentativa de restaurar a estabilidade regional. Abbas Araghchi também relembrou o papel desempenhado por Brasil e Turquia nas negociações envolvendo o programa nuclear iraniano em 2010, classificando aquela atuação como construtiva.
A reunião ministerial do BRICS acontece em meio a divergências internas dentro do bloco, agravadas pelas tensões entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, país que também integra o grupo e que recentemente foi alvo de ataques atribuídos a Teerã no contexto do conflito regional.
As diferenças diplomáticas entre os integrantes já haviam dificultado anteriormente a construção de uma declaração conjunta durante reuniões preparatórias realizadas no fim de abril. Nos bastidores, diplomatas acompanham com preocupação o impacto da crise sobre a unidade política do bloco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem criticado publicamente as ofensivas militares conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, classificando o conflito como uma “guerra da insensatez”. A posição brasileira busca reforçar o discurso em defesa da negociação diplomática e da redução das tensões internacionais.
Além do encontro com o chanceler iraniano, Mauro Vieira também teve reuniões com o ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, participou de agenda com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e conversou com o chanceler russo Sergey Lavrov nos bastidores da cúpula.
