A secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, se pronunciou pela primeira vez após a Polícia Civil concluir que a suposta tentativa de homicídio da qual afirmou ter sido vítima teria sido forjada. Em vídeo divulgado nas redes sociais na noite da última segunda-feira (18), a gestora afastada do cargo sugeriu que o caso estaria sendo influenciado por uma “briga política” e afirmou estar enfrentando um cenário de perseguição e sofrimento pessoal.
Aline foi afastada pela prefeitura após o encerramento das investigações conduzidas pela Polícia Civil. Segundo a apuração, ela, o motorista e o pai do funcionário estariam envolvidos na encenação do atentado registrado no dia 26 de março deste ano. A investigação aponta que o motorista teria mantido contato com o homem apontado como autor dos disparos pouco antes do ocorrido.
De acordo com a delegada Myrthor Andrade, titular da Delegacia de Homicídios responsável pelo caso, a secretária apresentou contradições durante os depoimentos e omitiu informações consideradas relevantes para o andamento da investigação. A polícia indiciou Aline Melo e o motorista pelos crimes de fraude processual, falsa comunicação de crime e denunciação caluniosa. Já o pai do motorista, apontado como responsável pelos tiros contra o veículo, deve responder por fraude processual e tentativa de homicídio.
No pronunciamento, Aline afirmou que sempre esteve à disposição das autoridades e garantiu ter colaborado com todas as etapas da investigação. Ela declarou receber a conclusão da polícia “com serenidade, mas com total seriedade”, reforçando que continuará colaborando com a Justiça.
A ex-secretária também fez um desabafo sobre os impactos do caso em sua vida pessoal. Segundo ela, o silêncio mantido até agora foi uma tentativa de lidar com a pressão emocional provocada pela repercussão das acusações. “O que estão fazendo comigo é desumano, desonesto e cruel”, afirmou, acrescentando que sua família estaria sofrendo junto com ela diante da exposição pública do caso.
O episódio ganhou forte repercussão política no município e aumentou a pressão sobre a gestão local, sobretudo após a conclusão do inquérito indicar que o atentado teria sido arquitetado pelos próprios envolvidos. Aline Melo deverá responder judicialmente pelas acusações apontadas pela Polícia Civil nos próximos desdobramentos do caso.
