O governo de Israel anunciou nesta quinta-feira (21) a deportação de todos os ativistas estrangeiros da chamada “Flotilha Global Sumud”, interceptada pelas forças israelenses em águas internacionais no Mediterrâneo enquanto seguia em direção à Faixa de Gaza. A decisão veio após a forte repercussão internacional provocada pela divulgação de imagens dos militantes detidos com as mãos amarradas e ajoelhados durante a custódia.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores israelense, cerca de 430 pessoas que estavam a bordo de aproximadamente 50 embarcações foram levadas para Israel após a interceptação realizada na segunda-feira, a oeste de Chipre. Os ativistas foram encaminhados para centros de detenção, incluindo a prisão de Ktziot, antes do início do processo de expulsão do país.
O porta-voz da chancelaria israelense, Oren Marmorstein, afirmou que Israel não permitirá qualquer tentativa de romper o bloqueio marítimo imposto à Faixa de Gaza. A medida foi justificada pelas autoridades como uma ação de segurança diante do conflito em curso entre Israel e o grupo palestino Hamas.
A operação gerou reações imediatas de diversos países europeus. Espanha, Irlanda e Itália solicitaram avaliações da União Europeia sobre a conduta do ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir, após a publicação de vídeos mostrando os ativistas detidos.
As imagens causaram indignação internacional, especialmente após uma jovem aparecer com a cabeça pressionada contra o chão por agentes de segurança ao gritar “Palestina livre” durante a passagem do ministro. A atitude de Ben-Gvir também provocou críticas dentro do próprio governo israelense.
A ONG Adalah, responsável pela defesa jurídica dos ativistas, informou que os estrangeiros foram levados para o Aeroporto Ramon, no sul de Israel, para deportação. Egípcios e jordanianos foram enviados para regiões próximas às fronteiras de seus países, enquanto um ativista com dupla nacionalidade alemã e israelense ainda deverá passar por audiência judicial em Ashkelon.
Os integrantes da flotilha afirmam que a missão tinha caráter humanitário e buscava chamar atenção para a situação na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por sua vez, defendeu a ação israelense e declarou que o país tem o direito de impedir a entrada de embarcações que considera provocativas e ligadas a apoiadores do Hamas.
Relatos de maus-tratos durante a detenção também aumentaram a pressão internacional. O jornalista italiano Alessandro Mantovani afirmou que ele e outros ativistas foram algemados, acorrentados e agredidos pelas forças de segurança israelenses antes da deportação. Já o deputado italiano Dario Carotenuto relatou momentos de tensão durante a operação, dizendo que armas foram apontadas contra os detidos durante a transferência.
