Uma declaração do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, abriu uma nova frente de desgaste para a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. Em entrevista concedida à GloboNews nesta segunda-feira, Valdemar afirmou que o parlamentar teria se reunido com o empresário Daniel Vorcaro para tentar garantir o pagamento restante dos recursos prometidos para o filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A versão difere da apresentada por Flávio, que sustenta ter procurado o banqueiro apenas para encerrar definitivamente qualquer tratativa relacionada ao projeto.
A controvérsia ocorre após reportagens apontarem que Vorcaro autorizou o repasse de milhões de reais para a produção cinematográfica, operação que passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal. Também vieram à tona gravações nas quais Flávio cobra parcelas que estariam em atraso. Diante da repercussão, o senador afirmou que o único tema tratado em suas conversas com o empresário foi o financiamento do longa-metragem e que sua ida a São Paulo teve como objetivo esclarecer a situação e buscar uma definição sobre o futuro do projeto.
Mesmo reconhecendo a gravidade das acusações envolvendo Vorcaro, Valdemar minimizou a conduta de Flávio e classificou como natural a tentativa de garantir os recursos prometidos para a produção. O dirigente partidário também reforçou que o senador continua sendo o nome escolhido pelo grupo político para disputar a Presidência da República. Segundo ele, não há discussão interna sobre substituição da candidatura e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não está no radar do partido para a disputa presidencial.
As declarações provocaram reações imediatas no meio político. Integrantes da base governista utilizaram as redes sociais para apontar contradições entre as versões apresentadas por Valdemar e Flávio. O ministro Guilherme Boulos afirmou que a fala do presidente do PL agravou a situação do senador ao admitir uma cobrança financeira ao empresário. Já o ex-advogado de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, criticou a entrevista de Valdemar e avaliou que declarações desse tipo acabam ampliando ruídos internos e desviando a atenção do que considera mais relevante para o grupo político. Com a repercussão do episódio, cresce a pressão para que novas explicações sejam apresentadas sobre a relação entre os envolvidos e os bastidores do financiamento do filme.
