Uma investigação policial revelou uma trama de falsidade ideológica que parece saída de um roteiro de cinema. Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi presa em flagrante pela Polícia Civil em Joinville (SC) sob a acusação de estelionato e falsa identidade. O motivo impressiona: nascida em 1988, ela conseguiu passar 14 meses vivendo como filha adotiva de uma família local, convencendo a todos de que era uma pré-adolescente de apenas 12 anos. Batizada temporariamente de Gabriele no estado catarinense, a suspeita usava uma aparência jovem e histórias comoventes para despertar a compaixão de pessoas inocentes.
O histórico de Amanda, no entanto, mostra que a tática é antiga e interestadual. Em 2023, sob o nome de Maria Eduarda, ela já havia sido detida em Nova Iguaçu (RJ) após comover moradoras locais com a falsa história de que era uma menina de 12 anos fugindo de uma rede de exploração sexual no Nordeste. Na ocasião, as vítimas se mobilizaram, dividiram aluguel e compraram mantimentos para ajudá-la, até que a polícia fluminense descobriu a farsa. Naquela época, ela chegou a fechar um acordo com o Ministério Público para prestar serviços comunitários e não cometer novos crimes, mas a promessa foi desfeita com a nova fuga.
A ficha criminal de Amanda cruza o país de ponta a ponta. Registros da Justiça apontam passagens e investigações semelhantes em São Paulo (onde se chamava Ana Clara), Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Ceará. Em todas as ocasiões, o enredo se repetia: o medo do Conselho Tutelar e a necessidade de proteção imediata. Enquanto a polícia catarinense tenta entender como a mulher viajou do Rio de Janeiro para o Sul sem levantar suspeitas, as autoridades alertam para o modus operandi sofisticado de uma golpista que fez da vulnerabilidade infantil sua principal ferramenta de trapaça.
