A eleição presidencial do Peru ganhou contornos ainda mais dramáticos nesta sexta-feira (12). Com mais de 98% das urnas apuradas, a candidata de direita, Keiko Fujimori, aparece na frente por uma margem mínima de apenas 1.303 votos sobre o candidato de esquerda, Roberto Sánchez.
Os números oficiais mostram um cenário de empate técnico: Keiko soma 50,004% dos votos válidos, enquanto Sánchez registra 49,996%. A diferença representa apenas 0,008 ponto percentual, tornando a reta final da apuração uma das mais disputadas da história recente do país.
Enquanto os votos restantes são contabilizados, a disputa também se intensifica nos tribunais eleitorais. O partido de Sánchez entrou com pedidos para anular cerca de 2,4 mil seções eleitorais, alegando indícios de irregularidades e padrões de votação considerados incompatíveis com a normalidade do processo. Segundo a legenda, há evidências que apontariam para possíveis falhas na apuração.
Do outro lado, o partido de Keiko também apresentou recursos para invalidar mais de 7 mil votos em uma região onde o adversário obteve ampla vantagem. A sigla afirma que fiscais eleitorais teriam sido impedidos de acompanhar a votação, o que, segundo seus representantes, comprometeria a transparência do processo.
Especialistas avaliam que centenas de milhares de votos podem ser impactados pelos recursos apresentados, o que mantém o resultado final em aberto. Até o momento, Sánchez não comentou oficialmente as contestações, enquanto Keiko declarou que não vê fundamentos para as anulações, mas reconheceu o direito do adversário de recorrer.
Com a diferença mais apertada da corrida presidencial e uma série de questionamentos em análise, o Peru segue acompanhando, voto a voto, uma eleição que ainda está longe de ter um desfecho definitivo.
