A polêmica em torno da visita da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), ao Assentamento Normandia ganhou novos contornos após declarações do líder do MST, Jaime Amorim, pai da deputada estadual Rosa Amorim (PT).
Em conversa com a colunista Betânia Santana, nesta segunda-feira (7), Jaime reafirmou que, politicamente, o MST está ao lado da candidatura de João Campos (PSB) ao Governo de Pernambuco. Segundo ele, porém, parte dos militantes do movimento, especialmente no Agreste e no Sertão, decidiu não declarar apoio formal e manter liberdade durante o processo eleitoral.
Jaime também explicou a presença de Raquel no assentamento, onde a governadora assinou uma carta-compromisso com a agricultura familiar e a reforma agrária. A visita chamou atenção, principalmente, porque o jingle da candidata foi executado no local. Segundo o dirigente, João Campos já havia participado de um ato no mesmo espaço e também teve seu jingle tocado. A música de Raquel, conforme relatou, teria sido colocada apenas no momento da saída, como forma de prestigiá-la.
Apesar de confirmar o apoio a João, Jaime fez questão de reconhecer a relação construída entre os movimentos do campo e a gestão de Raquel ao longo dos últimos anos. Para ele, a governadora manteve diálogo com as organizações rurais e atendeu parte das reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.
O dirigente afirmou ainda que Raquel pode ser considerada uma boa governadora para o campo, embora não a classifique como a melhor. Ao avaliar as ações da gestão, destacou a capacidade de negociação e a agilidade na condução das demandas.
Jaime, no entanto, ponderou que parte significativa das políticas voltadas à agricultura familiar teria relação com ações do governo federal, comandado pelo presidente Lula. A avaliação expõe uma situação politicamente peculiar: mesmo reconhecendo avanços da atual gestão, o MST mantém sua escolha eleitoral por João Campos na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.



