Clubes da elite do futebol brasileiro passaram a discutir a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro em protesto contra a Medida Provisória que proibiu a operação e a publicidade das casas de apostas no país. A articulação ganhou força nos últimos dias, diante da preocupação dos dirigentes com o impacto da decisão sobre as receitas dos clubes.
A movimentação ocorre após uma reunião entre representantes do governo federal e clubes das Séries A, B, C e D, que estava prevista para esta terça-feira (29), ser cancelada. Segundo informações divulgadas pela imprensa, dirigentes articulavam um boicote ao encontro, o que contribuiu para o adiamento da agenda.
As bets se tornaram uma importante fonte de recursos para o futebol brasileiro, principalmente por meio de contratos de patrocínio. Levantamento citado pela Folha aponta que as empresas do setor investiram cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes da Série A em 2025, valor 66% superior ao registrado no ano anterior.
Antes da decisão do governo, os clubes da Série A haviam divulgado um manifesto defendendo a manutenção da publicidade das empresas autorizadas a operar no país. As equipes afirmaram que o setor deveria ser fiscalizado e que medidas de combate ao vício em apostas poderiam ser adotadas sem eliminar o mercado regulado.
A Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro, proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. As plataformas têm até 5 de outubro para permitir o saque dos valores pelos usuários e, a partir de 6 de outubro, os serviços deverão ser retirados do ar.
O governo, por sua vez, argumenta que as apostas têm provocado problemas como endividamento das famílias e defende que os clubes busquem outras fontes de financiamento. Lula afirmou que o futebol brasileiro precisa se adaptar e citou a possibilidade de os clubes adotarem modelos empresariais previstos na legislação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAF).
Enquanto os clubes discutem uma reação conjunta, entidades que representam o setor de apostas também estudam medidas judiciais contra a MP. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) questionaram a medida no Supremo Tribunal Federal.
Até o momento, a paralisação do Brasileirão é tratada como uma possibilidade em discussão entre os clubes, e não como uma decisão oficial de interrupção da competição.




