O Brasil perdeu nesta sexta-feira (8) um de seus maiores ícones do samba. Arlindo Cruz, cantor, compositor e multi-instrumentista, morreu aos 66 anos, no Rio de Janeiro, após falência múltipla dos órgãos. Internado no hospital Barra D’Or, na Zona Oeste da cidade, o artista estava afastado dos palcos desde 2017, quando sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico que deixou sequelas e exigiu longos períodos de internação.
Conhecido por sua voz marcante, pelo talento com o cavaquinho e o banjo, e por composições que se tornaram hinos, Arlindo era chamado por amigos e admiradores de “o sambista perfeito” — título que inspirou uma biografia lançada este ano. Ao longo de mais de cinco décadas dedicadas à música, deixou um legado de mais de 550 sambas gravados por grandes intérpretes, como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Alcione.
Sua trajetória começou cedo: aos 7 anos ganhou o primeiro cavaquinho, aos 12 já tocava de ouvido e, ainda adolescente, teve como padrinho musical o lendário Candeia. Passou pela roda de samba do Cacique de Ramos, integrou o Fundo de Quintal por 12 anos e, depois, brilhou em carreira solo, colecionando sucessos e prêmios. No carnaval, foi compositor vitorioso no Império Serrano e na Grande Rio, eternizando sambas-enredos que ecoaram na Sapucaí.
A notícia de sua morte foi confirmada por sua esposa, Babi Cruz, e acompanhada de uma mensagem emocionante da família, que destacou não apenas o artista, mas o homem de fé, humildade e generosidade que ele foi. “Sua música continuará ecoando e inspirando as próximas gerações, como sempre foi seu desejo”, diz o comunicado.
Arlindo Cruz parte deixando um vazio imenso na cultura brasileira, mas também uma herança que transcende o tempo: a certeza de que o samba seguirá vivo, embalado pelo som e pela poesia de quem, para muitos, foi e sempre será o verdadeiro “sambista perfeito”.
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