Igarassu enfrenta mais uma vez um grave colapso na coleta de lixo, agravando uma crise que se arrasta há quase um ano. Desde a mudança repentina no contrato de limpeza urbana — que triplicou o valor anteriormente pago pela Prefeitura — o serviço nunca mais se normalizou. O que deveria representar uma melhoria na prestação de serviços se tornou sinônimo de acúmulo de lixo, paralisações e insatisfação generalizada.
Nesta semana, o problema atingiu seu ponto mais crítico. Funcionários da limpeza urbana, com mais de 45 dias de salários atrasados, cruzaram os braços e protestaram em frente ao prédio da Prefeitura. O ato, marcado por desabafo e revolta, expôs a dura realidade enfrentada pelos trabalhadores que mantêm a cidade limpa.
“A gente trabalha de domingo a domingo, debaixo de sol e chuva. Tem gente com conta de luz cortada, com filho em casa sem o que comer. A gente quer só o que é nosso: o salário do mês. Já virou humilhação”, desabafou um gari que preferiu não se identificar.
Enquanto isso, montes de lixo voltaram a se espalhar pelas ruas e avenidas, causando transtornos à população e riscos à saúde pública. Em uma tentativa de conter os impactos da paralisação, a Prefeitura mobilizou servidores de outros setores — como encanadores e zeladores — para executar a coleta de forma emergencial.
A medida, no entanto, tem sido interpretada por parte dos moradores como mais um sinal de improviso e falta de gestão. Até o momento, a administração municipal não apresentou um posicionamento oficial sobre a crise, tampouco um calendário de pagamento para os garis.
Com um contrato milionário em vigor e um serviço cada vez mais precário, a população de Igarassu se pergunta: para onde está indo todo esse dinheiro?
